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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

IRMÃS DE MARIA parte1


Nascimento 1098 em Bermersheim vor der Höhe, Alemanha
Falecimento 17 de setembro de 1179 em Mosteiro de Rupertsberg, Alemanha
Veneração por Igreja Católica
Beatificação Data ignorada. Veneração pública autorizada em 1324 pelo papa João XXII.
Canonização 1584, em canonização administrativa autorizada pelo papa Gregório XIII, sem cerimônia solene.
Principal templo Igreja de Santa Hildegard, Eibingen, Alemanha
Festa litúrgica 17 de setembro

Hildegarda de Bingen
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Santa Hildegarda de Bingen, em alemão Hildegard von Bingen (Bermersheim vor der Höhe, verão de 1098 — Mosteiro de Rupertsberg, 17 de setembro de 1179), foi uma monja beneditina, mística, teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica informal, poetisa, dramaturga e escritora alemã, e mestra do Mosteiro de Rupertsberg em Bingen am Rhein, na Alemanha.

Personalidade muito citada mas de fato pouco conhecida pelo grande público, rompendo as barreiras dos preconceitos contra as mulheres que existiam em seu tempo, foi respeitada como uma autoridade em assuntos teológicos e louvada por seus contemporâneos em altos termos.

Hoje é considerada uma das figuras mais singulares e importantes do século XII europeu, e suas conquistas têm poucos paralelos mesmo entre os homens mais ilustres e eruditos de sua geração.

Seus vários e extensos escritos mostram que ela possuía uma concepção mística e integrada do universo, ainda que essa concepção não excluísse o realismo e encontrasse no mundo muitos problemas.
A solução para eles, de acordo com suas idéias, devia advir de uma união cooperativa e harmoniosa entre corpo e espírito, entre natureza, vontade humana e graça divina. Mas não tentou inaugurar uma nova corrente de pensamento religioso; sempre permaneceu fiel à ortodoxia do Catolicismo, e combateu as heresias e a corrupção do clero.

Quis acima de tudo desvelar para seus semelhantes os mistérios da religião, do cosmos, do homem e da natureza. Para ela o universo era a resposta para as dúvidas da humanidade, e a humanidade era a resposta para o enigma do universo.

Mas, como ela escreveu, se a humanidade não fizesse a pergunta, o Espírito Santo não poderia respondê-la.

Foi a primeira de uma longa série de mulheres influentes tanto na religião como na política, e um representante típico da aristocracia cultural beneditina. Orgulhosa de pertencer a uma elite social e espiritual, mostrou-se no entanto humilde e submissa a Deus.

Além de mística, teóloga e pregadora, foi poetisa e compositora talentosa, deixando obra de vulto e original. Também fez muitas observações da natureza com uma objetividade científica até então desconhecida, especialmente sobre as plantas medicinais, compilando-as em tratados onde abordou ainda vários temas ligados à medicina e ofereceu métodos de tratamento para várias doenças.

Seus primeiros biógrafos a mencionaram como santa e lhe atribuíram alguns milagres, em vida e após a sua morte, mas jamais foi formalmente canonizada pela Igreja Católica, apenas beatificada. Entretanto, seu nome foi incluído no Martirológio Romano como santa, e seu dia é festejado em muitas dioceses alemãs.

Depois de um longo período de obscuridade, sua vida e obra vêm recebendo atenção crescente desde a segunda metade do século XX; seus escritos começaram a ser traduzidos para várias línguas, muitos livros e ensaios já lhe foram dedicados e foram feitas diversas gravações com sua música.

Biografia

Juventude

Hildegarda de Bingen nasceu em uma família da pequena nobreza de Bermershein, que estava a serviço dos condes de Sponheim, e que produziu diversas personalidades religiosas e culturais, entre elas dois de seus irmãos, Hugo, mestre do coro da Catedral de Mainz e mentor do bispo de Liège, e Roricus, que se tornou cônego da abadia beneditina de Tholey.

O nome da família não foi transmitido com segurança à posteridade, mas é possível que fosse Von Stein, a partir de algumas indicações nos documentos primitivos.

Hildegarda foi a décima filha de Hildebert e Mechtild, e por esse motivo teria sido oferecida como dízimo à Igreja, mas é possível que o fato de ela desde tenra infância experimentar visões, o que, combinado à sua saúde precária, teriam sido os motivos principais para destiná-la à vida religiosa.

Segundo a Vita Sanctae Hildegardis, a mais importante biografia antiga sobre ela, aos três anos de idade ela teve sua primeira experiência clarividente, quando teve a visão de uma luz de brilho deslumbrante que fez sua alma tremer, e nos anos seguintes essas visões se repetiram com frequência.
Hildegarda relatou algumas delas para as pessoas de sua família, mas intimidada com a reação de surpresa e desconfiança que causavam, logo cessou de mencioná-las.

Com oito anos foi confiada aos cuidados de Jutta, filha do conde de Sponheim, e que era a mestra de um pequeno grupo de monjas enclausuradas de um eremitério anexo ao Mosteiro de Disibodenberg, que as supervisionava.

Jutta introduziu Hildegarda no modo de vida dos Beneditinos e deu-lhe as primeiras letras através da leitura das Escrituras, e possivelmente elementos de música.

Em sua época os mosteiros beneditinos eram uma das melhores opções para os membros da aristocracia germânica que desejavam se dedicar à religião, estavam entre os mais importantes centros de cultura da Europa, e podiam prover uma educação esmerada para os filhos da nobreza.
Mas parece que no seu caso, a julgarmos por suas repetidas declarações anos mais tarde, essa educação inicial foi apenas rudimentar.

Suas experiências visionárias continuavam, mas ela mesma ainda não sabia definir sua causa. Dizia que via e ouvia as coisas "em sua alma", chegava a ter sensações táteis e olfativas, e ao mesmo tempo continuava alerta para com o que se passava no mundo físico e em plena posse de suas faculdades mentais e corpóreas, mas também disse que elas a exauriam, a ponto de deixá-la constantemente doente.

Em 1114 fez seus votos definitivos e ingressou na Ordem, mas a reconstituição de sua vida nesse eremitério é muito difícil, não há relatos descritivos salvo breves alusões.

A partir de crônicas deixadas sobre outros estabelecimentos semelhantes de seu tempo, é provável que seu eremitério tenha seguido em linhas gerais, mas com maior pobreza, a rotina dos monges beneditinos que o supervisionava, passando a maior parte do dia em orações ou trabalhos manuais.

O contato com o mundo profano era rigorosamente vedado, e ao que tudo indica não podiam sequer sair para exercitar-se.

Em todos os assuntos devem ter dependido dos monges vizinhos, e não há como saber em que medida Hildegarda se beneficiou da rica vida cultural que os integrantes masculinos da ordem desfrutavam.
Entretanto, mesmo em todos os outros momentos isoladas do mundo, parece garantido que as missas eram assistidas pelas monjas na igreja dos monges, pois não possuíam uma própria, e pelo menos no que diz respeito à vivência musical e ao aprendizado do latim, da retórica sacra e da doutrina católica essa frequência deve ter sido de grande importância para a futura carreira de Hildegarda.

Logo a fama de virtude de sua mestra, que veio a ser santificada, e a dela própria, começaram a atrair outras monjas, o pequeno eremitério, que inicialmente possuía apenas uma porta e uma janela, foi gradualmente ampliado e se tornou quase um mosteiro autônomo, e o rigor de sua clausura parece ter sido suavizado.

É possível que tenha se envolvido então com o cuidado de doentes e gestantes e incrementado suas práticas musicais, e segundo o que disse anos depois, sua saúde melhorou, ela se sentia mais confiante e sua habilidade clarividente se desenvolveu, passando a ser capaz de prever o futuro.

Maturidade

Até a ocasião da morte de Jutta, em 1136, quando foi eleita mestra das monjas de Disibodenberg, as fontes primitivas não dão dados relevantes; ela mesma afirmou em um de seus escritos que sua juventude fora de pouco interesse salvo pelas visões que tinha.
Mas em 1141 teve uma visão que abriu-lhe o entendimento para o significado profundo do texto das Escrituras.

Numa de suas notas autobiográficas, disse:

"E sucedeu no 1141º ano da encarnação de Jesus Cristo, Filho de Deus, quando eu tinha quarenta e dois anos e sete meses, que os céus se abriram e uma luz ofuscante de excepcional fulgor fluiu para dentro de meu cérebro. E então ela incendiou todo o meu coração e peito como uma chama, não queimando, mas aquecendo... e subitamente entendi o significado das exposições dos livros, ou seja, dos Salmos, dos Evangelhos e dos outros livros católicos do Velho e Novo Testamentos".

Ao mesmo tempo uma voz lhe ordenou: "Oh mulher frágil, cinza de cinza e corrupção de corrupção, proclama e escreve o que vês e ouves".

Para que não restassem dúvidas, a ordem lhe foi repetida por três vezes.
Mas não pôde colocar em prática de imediato o mandado divino. Atormentada por receios sobre sua competência para tanto, tendo uma baixa opinião sobre si mesma, e temendo o que os outros iriam dizer dela, entrou em uma crise interior, e acabou por adoecer.

Por incentivo do monge Volmar, que provavelmente deu-lhe uma educação complementar mais sólida e ajudou-a na correção de seu latim ainda precário, transcreveu alguma coisa em segredo, os primeiros esboços de seu Liber scivias Domini, mas somente em 1147, ainda hesitante, procurou Bernardo de Claraval, já famoso, em busca de orientação.
Escreveu-lhe uma carta onde expunha suas dúvidas e receios, e pedia uma confirmação para seu dom, mas a resposta do celebrado religioso foi circunspecta e evasiva.
Não quis assumir a responsabilidade por seus atos, mas encorajou-a a confiar no seu próprio julgamento e através dele atender ao chamado que recebera.
Mas logo passou a apoiá-la mais efetivamente, persuadindo o papa Eugênio III a ler alguns de seus escritos iniciais diante do sínodo reunido em Trier em 1147-1148.

O papa enviou ainda uma comissão de clérigos para verificar a autenticidade do que tinha em mãos como sendo dela. Confirmada sua autoria, o papa enviou-lhe uma carta louvando seu amor a Deus e sua reputação honrada, e sancionou as visões então divulgadas como válidas, o que lhe deu o impulso decisivo para que assumisse publicamente seu dom profético como uma missão evangelizadora e passasse a lançar ao papel resolutamente e em detalhe o que lhe era revelado.

Escrevia em latim, o que de imediato excluía um público popular, e o próprio conteúdo de seus escritos também os direcionava para a elite.

Torna-se mais surpreendente a sua produção quando se lembra que em seu tempo as mulheres em geral tinham pouquíssimo espaço na vida cultural, civil e religiosa, havia sérios preconceitos contra elas a respeito de sua moralidade e capacidades físicas e intelectuais, não se lhes atribuía qualquer autoridade, ao mesmo tempo em que ela própria se sentia pouco qualificada, tendo alegadamente recebido uma educação pobre e que, comparada com a refinada cultura nas artes liberais que muitos monges recebiam, fazia dela, aos olhos de seus contemporâneos, uma semi-analfabeta.

Mas imediatamente depois da aprovação papal, tornou-se uma celebridade em toda Europa.

Na mesma época, por uma ordem recebida em uma visão, deixou Disibodenberg em 1148 junto com outras monjas a fim de revitalizar o antigo Mosteiro de Rupertsberg, então arruinado e localizado numa região erma, onde continuou seu trabalho religioso e assistencial, e seus escritos.

A decisão encontrou a oposição do clero e dos monges de Disibodenberg, e inclusive de suas monjas, mas finalmente em torno de 1150 o prédio estava restaurado e o grupo instalado.

Sua primeira obra, o Liber scivias Domini (Livro do conhecimento dos caminhos do Senhor), foi concluída ali em 1151, contendo uma coleção de relatos sobre suas visões até então.

Esse período inicial em Rupertsberg foi marcado por várias dificuldades, lutando por verbas para o sustento da comunidade e pela regularização de seu estatuto jurídico, e enfrentando a deserção de várias monjas, perdendo inclusive a sua discípula favorita e assistente, Richardis von Stade, que foi indicada superiora de outro mosteiro.

Por outro lado, foi favorecida em seus empreendimentos pelas boas relações de sua família com a nobreza local e com o alto clero, ela mesma já era famosa e se correspondia com várias personalidades importantes, e ganhou a amizade e a proteção de Frederico II, até que as diferenças dele com o papa fizeram essa amizade esfriar.

Também dessa fase datam suas primeiras composições musicais e poéticas conhecidas, bem como suas primeiras observações científicas da natureza e textos médicos.

A partir de 1158 iniciou sua próxima obra importante, o Liber vitae meritorum (Livro dos méritos da vida), onde examinou os vícios e as virtudes da vida humana, mas ao longo de quase todo o período em que o escreveu esteve doente.

Anos finais e morte

A partir de 1160, sempre por força de comandos divinos que lhe impunham doenças até que ela anuísse ao chamado, o que fazia nem sempre de boa vontade ou imediatamente, por temor da rejeição das pessoas, empreendeu diversas viagens pela Alemanha e França a fim de pregar, um privilégio nunca outorgado a mulheres, indo primeiro a Mainz, Würzburg, Ebrach e Bamberg.

Depois viajou para a Lorena, passando por Trier e Metz. No ano seguinte visitou Colônia e outras cidades, indo até o Ruhr.

Em 1163 terminou o Liber vitae e imediatamente iniciou sua obra teológica mais notável, o Liber divinorum operum (Livro das obras divinas), um comentário sobre o prólogo do Evangelho de São João e sobre o livro do Gênesis, aprofundando os temas já tratados no Scivias.
A escrita dessa obra sofreu várias interrupções, e só foi terminada em 1174, pouco antes de sua morte.

Em 1165 suas tarefas duplicaram com a fundação de um novo mosteiro em Eibingen, para acomodar o crescente número de monjas sob seus cuidados. Visitava-o duas vezes por semana, e nesse período seus biógrafos dizem que fez suas primeiras curas milagoras e exorcismos.

Em torno de 1170, já idosa, uma visão ordenou que ela fizesse uma última viagem, agora para Maulbronn, Hirsau, Zwiefalten e outras cidades. De início relutou, como costumava fazer, mas então foi atacada por uma hoste de espíritos malignos que se compraziam em humilhá-la e infligir-lhe intensas dores físicas.

Quando finalmente aceitou a incumbência, foi recompensada com a visão de um homem de aparência extraordinariamente formosa e de bondade amantíssima:


"Ao vê-lo senti todo meu ser infuso de um perfume balsâmico. Então exultei com alegria imensa, e desejei permanecer na sua contemplação para sempre. E ele ordenou que os que me afligiam partissem e me deixassem em paz, dizendo: 'Vão, não quero que a atormentem mais!', e eles, partindo, gritaram: 'Ah, sempre que viemos aqui saímos confundidos!' Imediatamente, às palavras do homem, a doença que me afligia, como água empurrada pelo vento, se foi, e eu recuperei as forças".


Suas pregações eram audaciosas e veementes, denunciando os vícios do clero e combatendo as heresias, em particular a dos cátaros, que naquela altura estavam penetrando rapidamente na Germânia, fazendo muitos seguidores.

Esses périplos exigiam muito de sua saúde, e seus anos finais foram perturbados por uma série de moléstias. Algumas lhe causavam grandes sofrimentos, mas seus dotes intelectuais e espirituais pareciam crescer à medida que o corpo fraquejava.

Permaneceu sempre em atividade, escrevendo, debatendo com outros religiosos e atendendo à crescente multidão de pessoas que vinham em busca de seu conselho e dos remédios que preparava.

Nesse período escreveu as biografias de São Rupert e São Disibod, um comentário sobre a Regra Beneditina, e outras peças menores.

Além de seus problemas de saúde e os administrativos, perdeu em 1173 seu colaborador de longa data, o monge Volmar, e custou a encontrar um substituto. Teve de apelar para o papa Alexandre III, e após longas negociações foi-lhe enviado o monge Gottfried em fins de 1174 ou no início de 1175, que começou a servir de seu assistente e iniciou a compor uma biografia sobre Hildegarda, mas faleceu em 1176 sem terminá-la.

Foi então substituído pelo monge Guibert de Gembloux, que também se dedicou a escrever sobre sua vida, e igualmente não terminou o trabalho, abordando apenas seus anos iniciais, o que foi uma lástima dado o vulto do fragmento que sobreviveu.

No último ano de sua vida enfrentou uma outra crise, agora a do interdito que o clero de Mainz impôs sobre o seu mosteiro, impedindo a celebração da missa e a prática dos cânticos sacros.
O motivo foi o de ela ter permitido o enterro de um nobre alegadamente excomungado no cemitério de seu mosteiro, mas segundo ela este nobre havia sido absolvido "in extremis" e recebido a eucaristia.
A despeito de ter feito apelos às autoridades, explicando o ocorrido, o conflito só piorou e foi necessário o concurso do arcebispo de Mainz, que decidiu levantar o interdito em 1179.

Mas todo o caso a desgastou profundamente, e depois de conseguir uma solução favorável para si, perdeu as forças e desejou ser liberta do corpo para encontrar a Cristo.
Previu a iminência de sua morte e faleceu pacificamente em 17 de setembro do mesmo ano.

As fontes documentais primitivas

A principal fonte de informação sobre sua vida é a biografia que foi escrita por seu secretário, o monge Gottfried, Vita Sanctae Hildegardis, mas quando ele morreu, em 1176, deixou a obra inacabada.

Somente uma década mais tarde o monge Theoderic, de Echternach, retomou o trabalho, escrevendo mais dois volumes e provendo um prefácio.

Embora Gottfried tenha vivido em contato direto com Hildegarda e conhecido muito de sua vida, informações essenciais não foram incluídas no seu livro, nem mesmo o lugar e a data de nascimento foram indicados.
Além disso, seu relato é convencionalmente laudatório, mas por outro lado transcreveu boa parte da correspondência de Hildegarda.
A contribuição de Theoderic foi também importante porque ele usou longas passagens autobiográficas de material autógrafo que mais tarde foi perdido.

Mas como toda hagiografia daquela época, seus autores não se propuseram a oferecer uma narração "objetiva" de sua carreira - o propósito primário foi o de mostrá-la ao mundo como uma sábia, uma profetisa e uma santa, encontrando para todos os seus atos uma justificação sobrenatural e uma inspiração divina, e advogando claramente sua canonização oficial.

Outra fonte de suma importância é a sua própria correspondência, e os prefácios que escreveu para seus livros, onde muitas vezes deu detalhes de como, quando e onde foram escritos.

Uma outra biografia, também incompleta, foi deixada pelo monge Guibert de Gembloux, o último secretário de Hildegarda, e sobrevivem ainda alguns documentos eclesiásticos e algumas crônicas posteriores do próprio mosteiro, que acrescentam dados úteis, como a Acta Inquisitionis, elaborada pela Igreja quando as monjas de Rupertsberg pleitearam sua canonização.

Recentemente foi descoberta a biografia sobre Jutta, sua mestra, mas se dá um painel interessante sobre o contexto cultural da época e sobre os primeiros anos de Hildegarda, a cronologia que apresenta não concorda com a maioria das outras fontes conhecidas.

Embora com algumas perdas, o principal de sua produção foi preservado e chegou aos dias de hoje.
Sobrevivem dez manuscritos integrais do Scivias, cinco do Liber vitae meritorum, cinco do Liber divinorum operum, três do Physica, um do Causae et curae, e dezenove com um número variado de suas cartas, além de um grande número de trechos citados em obras alheias e fragmentos diversos,mas o mais importante é o Riesencodex, conservado na Biblioteca Estatal de Hesse, na Alemanha, com sua obra quase completa, excluindo o tratado sobre ciência natural.
Foi considerado em sua época como a versão definitiva de seus escritos. Não deve ter sido concluído no período de sua vida, mas com toda probabilidade foi uma edição iniciada por ela mesma, e executada por um grupo de assistentes anônimos de Rupertsberg.

Foi escrito como volumes separados, que entre os séculos XV e XVI foram reunidos em um só códice com 481 fólios, pesando 15 kg.


Gemma Galgani (12 de março de 1878 - 11 de abril de 1903) é uma santa da igreja católica, tendo sido beatificada no dia 14 de maio de 1933.

Grande mística e uma das maiores e mais populares santas modernas da Igreja Católica. Festejada no dia 11 de abril.

Nasceu a 12 de março de 1878 em Camigliano, um vilarejo situado perto de Lucca, na Itália.

Gemma em italiano significa jóia. Seu pai era um próspero químico e descendente do Beato Giovanni Leonardi. A mãe de Gemma era também de origem nobre. Os Galgani eram uma família católica tradicional que foi abençoada com oito filhos.

Gemma, a quinta a nascer e a primeira menina da família, desenvolveu uma atração irresistível pela oração desde muito pequena. Esse carinho pela oração lhe veio de sua piedosa mãe, que lhe ensinou as verdades da Fé da Igreja Católica. Foi a sua mãe que infundiu em sua preciosa alma o amor pelo Cristo Crucificado.

Sua mãe morreu de tuberculose quando ela estava com sete anos e desde então passou a ter muito trabalho doméstico e muitos problemas pessoais e espirituais. Mas ela os suportou com paz e extraordinária paciência.

Desde muito cedo foi sujeita a fenômenos sobrenaturais como visões, êxtases, revelações, manifestações sobrenaturais miraculosas e estigmas periódicos.

Quando tinha 18 anos seu pai morreu e ela entrou para a casa de Mateo Giannini como serviçal doméstica. Ela desejava entrar para o convento das Passionatas em Lucca na qual o seu conselheiro espiritual era o diretor, mas foi rejeitada devido sua fragilidade física, saúde precária, que incluía uma meningite espinhal, e por ter visões místicas.

Mais tarde, Gemma curou-se graças a intercessão de São Gabriel da Virgem Dolorosa. Entre 1899 e 1901 Gemma sofreu por 18 meses os estigmas da Crucificação de Cristo (stigmata) e a marcas dos espinhos e dos açoites de Jesus.

Experimentou visões de Cristo e da Virgem Maria e do seu Anjo da Guarda.
Quando em êxtase, fenômenos sobrenaturais (supranormais) manifestavam-se nela, entre os quais a mudança do som de sua voz e o falar em linguagem usada na época de Cristo (aramaico), da qual não poderia ter conhecimento, visto que apenas poucos luminares em Roma foram capazes de decifrar suas visões e revelações. Gemma faleceu em 11 de abril de 1903 um Sábado Santo, e pouco depois sua devoção se difundiu.

Sua popularidade aumentou em 1943 quando suas cartas para o Pe. Germano (seu diretor espiritual) foram publicadas. Foi beatificada em 1933 e canonizada pelo Papa Pio XII em 1940.

Santa Gemma Galgani é a Santa padroeira dos farmacêuticos e alquimistas.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gemma_Galgani

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(Mãe da virgem maria)
(~ 70 - 16 a. C)

Mulher nazarena que apesar de não ser mencionada nos Evangelhos, pela tradição da Igreja Católica seria a mãe da Virgem Maria e, portanto, avó materna de Jesus Cristo.

De acordo com a tradição, era filha de Natã, sacerdote belemita, e de Maria, e foi a mais jovem de três irmãs bíblicas.

Suas outras irmãs mais velhas seriam Maria de Cleofas, mãe de Salomé, e Sobé, mãe de santa Isabel, que geraria são João Batista.

Casou-se com são Joaquim e por muitos anos permaneceu estéril, só dando a luz a Maria em avançada.

Teria morrido pouco depois de apresentar Maria no Templo, consagrando-a a Deus, quando a filha contava apenas três anos de idade.

Seu culto difundiu-se no Oriente, e no século VI o imperador Justiniano mandou erguer-lhe um templo em Constantinopla. Nos séculos seguintes a veneração expandiu-se também pela Europa.

Em uma bula (1584) o papa Gregório XIII instituiu que sua festa seria comemorada no dia 26 de julho, mês que passou a ser denominado mês de sant'Ana.

Venerada como padroeira das mulheres casadas, especialmente das grávidas, cujos partos torna rápidos e bem-sucedidos, é também protetora das viúvas, dos navegantes e marceneiros.

FONTE: www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1556.html



Santa Ana
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Santa Ana ou Sant'Ana (do latim Anna, por sua vez do hebraico transliterado Hannah, "Graça") foi mãe da Virgem Maria e avó de Jesus Cristo.

Histórico

Os dados biográficos que sabemos sobre os pais de Maria foram legados pelo Proto-Evangelho de Tiago, obra citada em diversos estudos dos padres da Igreja Oriental, como Epifânio e Gregório de Nissa.

Sant'Ana, cujo nome em hebraico significa graça, pertencia à família do sacerdote Aarão e seu marido, São Joaquim, pertencia à família real de Davi. Seu marido, São Joaquim, homem pio fora censurado pelo sacerdote Rúben por não ter filhos. Mas Sant’Ana já era idosa e estéril.

Confiando no poder divino, São Joaquim retirou-se ao deserto para rezar e fazer penitência. Ali um anjo do Senhor lhe apareceu, dizendo que Deus havia ouvido suas preces. Tendo voltado ao lar, algum tempo depois Sant’Ana ficou grávida.

A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe de Jesus. Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Santana; e aí, num sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa "Senhora da Luz", passado para o latim como Maria.

Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos, tendo lá permanecido até os doze anos.

A devoção aos pais de Maria é muito antiga no Oriente, onde foram cultuados desde os primeiros séculos de nossa era, atingindo sua plenitude no século VI. Já no ocidente, o culto de Santana remonta ao século VIII, quando, no ano de 710, suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla, donde foram distribuídas para muitas igrejas do ocidente, estando a maior delas na igreja de Sant’Ana, em Düren, Renânia, Alemanha.

Seu culto foi tornando-se muito popular na Idade Média, especialmente na Alemanha. Em 1378, o Papa Urbano IV oficializou seu culto . Em 1584, o Papa Gregório XIII fixou a data da festa de Sant’Ana em 26 de Julho, e o Papa Leão XIII a estendeu para toda a Igreja, em 1879.

Em França, o culto da Mãe de Maria teve um impulso extraordinário depois das aparições da santa em Auray, em 1623.

Tendo sido São Joaquim comemorado, inicialmente, em dia diverso ao de Sant’Ana, o Papa Paulo VI associou num único dia, 26 de julho, a celebração dos pais de Maria Santíssima.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Ana

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Quem era a mãe de Maria?

Ontem foi celebrada a festa de Santa Ana na cidade onde ela viveu parte de sua vida, Séforis, situada na Galiléia.
Peregrinos da região se dirigiram para a antiga Igreja Medieval para em uma missa agradecer a Deus pela santificação dos pais da Virgem Maria.

Qual a importância desse local, o que o testemunho desses santos nos ensina?


Séforis, no tempo de Jesus era uma grande capital, dotada de muita importância, seja no aspecto econômico, quanto ao militar e religioso. Foi sede do Sinédrio; ao seu centro Herodes Antipas construiu vários palácios públicos, constituindo-a também como a primeira capital de seu reinado.

Qual sua importância para a fé cristã?


Maria passou sua infância em Jerusalém, após a morte de seu pai Joaquim, foi juntamente com sua mãe Ana para Séforis. Ali elas viveram com seus parentes (avós, tios, tias e primos) antes de partirem para Nazaré. No período em que os Cruzados ali estiveram construíram uma grande Igreja, confirmando a longa devoção mantida ali pela mãe de Maria.

Em 1263 foi destruída juntamente com Nazaré pelo sultão mameluco Bibars.

Entre as ruínas de Séforis e a Igreja, está a casa das “Filhas de Santa Ana”, uma Congregação nascida na Itália, a qual possui como patrona a mãe da Virgem Maria.

Todos os anos renovam, em ocasião de sua Festa, sua consagração a Deus. Nesta Congregação, todas recebem o nome de Ana, como sinal de devoção.

Irmã Ana Adelaide é italiana e vive em Nazaré, ela fala a respeito da espiritualidade de Santa Ana:


Como a Congregação assimilou a forma de vida de Santa Ana?
É a espiritualidade dos anawins, ou seja dos pobres do Senhor. Lemos na Bíblia sobre o pequeno resto de Israel. A exemplo deles procuramos manter viva a esperança do povo, vivendo como pobres em uma doação materna.

O que é a espiritualidade dos anawins?
É a espiritualidade dos pobres, daqueles que esperam tudo do Senhor. Depois da destruição de Israel, se dispersou a maior parte da população; ficou em Israel um pequeno resto que rezava, que esperava, que continuou mantendo viva a fé. Portanto, era o fermento que permaneceu vivo.

O belo ambiente, situado no alto de uma montanha, era o local onde uma multidão de pessoas simples, trabalhava para se sustentar. Entre essas pessoas estavam também a viúva Ana e a pequena Maria.

Neste chão escolhido para ser escola daquela que seria a mãe do Salvador, formou-se também Santa Ana, testemunha viva da santidade do dia-a-dia.
Leandro César
Canção Nova - Terra Santa



Data de nascimento: 30 de abril de 1896(1896-04-30)
Naturalidade: Kheora, Brahmanbaria, Bangladesh
Nascimento: Nirmala Sundari
Data de morte: 27 de agosto de 1982 (86 anos)
Local da morte: Kishanpur, Dehradun, Os ritos da Índia, foram realizados no passado Kankhal, Haridwar, India
Citação: "Quem é que ama e quem que sofre? Só Ele encena uma peça com ele próprio; que existe salvá-lo? O indivíduo sofre porque ele percebe a dualidade. É a dualidade que faz com que toda a tristeza e sofrimento. Encontre o em toda parte e em tudo e haverá um fim à dor e ao sofrimento."
FONTE: http://en.wikipedia.org/wiki/Sri_Anandamayi_Ma


A Mãe Impregnada de Alegria

Nirmala Sundari (em sânscrito,"Beleza Imaculada", um nome adequado para uma mulher cuja beleza, tanto física quanto espiritual, era de tirar o fôlego) nasceu em 1896, em Kheora, Leste de Bengala,(hoje Bangladesh).

Na época de sua morte, em 1982, essa camponesa virtualmente iletrada seria reverenciada em todo o mundo como Anadamayi Ma, a Mãe Impregnada de Alegria.

Nirmala era lembrada por vizinhos e parentes como uma criança excepcionalmente alegre e luminosa - mas não especialmente inteligente. A sua tendência de parar abruptamente todas as atividades e fixar os olhos abstratamente no espaço por longos períodos deixava os seus pais apreensivos. A preocupação deles tinha começado no momento exato do seu nascimento, quando a criança recém-nascida não chorou.

Anos mais tarde, quando a sua mãe lembrou esse acontecimento alarmante, Nirmala reagiu:

- Por que deveria eu ter chorado? Eu estava olhando as árvores através das ripas da janela. (.....)

Os seus pais contrataram o seu casamento com Bholanath; cinco anos depois, ela foi morar com ele. Quando viu sua estonteante noiva, Bholanath deve ter se considerado o homem mais sortudo da terra. De fato, ele tinha sido abençoado, mas não da maneira que esperava: a sua esposa recusava-se categoricamente a fazer sexo com ele.

A sua consternação transformou-se em horror quando ele acordou no meio da noite e encontrou Nirmala contorcendo o seu corpo no chão e emitindo sons estranhos e obscuros. Ficou convencido de que ela estava possuída e consultou um exorcista.

Nem Bholanath nem Nirmala tinham treinamento religioso formal, e assim, na época, nenhum dos dois reconheceu que Nirmala estava assumindo espontaneamente posturas da Hatha yoga ou que as suas estranhas vocalizações eram, na verdade, mantras sagrados.

De 1918 a 1924, Nirmala desinteressadamente se observou passar pelos vários estágios da "sadhana", a prática espiritual.

Desde o momento do seu nascimento plenamente consciente, quando ficou olhando as árvores, Nirmala aparentemente permaneceu no estado de "sakshin", como é chamado o estado de testemunho lúcido na yoga.

- O que eu sou, sempre fui desde a minha infância - afirmou ela posteriormente. - Contudo, diferentes estágios da "sadhana" se manifestaram através deste corpo. A sabedoria foi revelada pouco a pouco; o conhecimento integral foi dividido em partes.

Nirmala - que nasceu vivenciando a unidade de toda a criação - achava surpreendente vivenciar o mundo aos pouquinhos e em partes, como faz o resto de nós.

O comportamento não-ortodoxo de Nirmala chocou a sua família muitas vezes durante a sua vida. Uma de tais ocasiões ocorreu quando ela se recusou a se curvar diante dos seus antepassados, um requinte social considerado imprescindível em Bengala. Porém, Nirmala tinha ouvido uma voz lhe dizendo: "Voce não deve se curvar diante de ninguém. A quem voce quer homenagear? Voce é tudo."

- Imediatamente - afirmou Nirmala -, compreendi que todo o universo era a minha própria manifestação. O conhecimento parcial deu lugar ao universal, e eu me descobri face a face com a Unidade que aparenta ser muitas coisas.

Isto - o auge de todo o esforço místico - realmente seria uma façanha para qualquer pessoa, ainda mais para uma jovem que nunca tinha tido um guru.

Não era que o assunto de um guru ou guia espiritual não tivesse surgido. Os amigos que conheciam as inclinações espirituais de Nirmala, encorajaram-na com veemência a buscar um mestre que a iniciasse formalmente na vida espiritual. Ela foi até os pandits locais, mas nenhum estava interessado em ensinar uma camponesa pobre e iletrada. Em 3 de agosto de 1922, numa ruptura total com toda a história da tradição religiosa hindu, Nirmala Sundari Chakaravarti se sentou e iniciou a si mesma.

A yoga ensina que o guru, o mantra que ele confere durante a iniciação e o discípulo são, na realidade, uma única coisa. Já estabelecida naquela realidade indivisível, Ananda Mayi Ma dramatizou esta unidade quando interpretou os papéis de mestre e de discípulo simultaneamente, com seu Eu superior conferindo o mantra ao seu eu inferior. Assim, ela recebeu o mantra diretamente da divindade interior e tornou-se uma das poucas sábias do hinduísmo que alcançaram a plena iluminação sem a ajuda de um guru.

Em 1922, Bholanath, o aturdido marido de Nirmala, tinha visto o bastante para concluir que sua esposa estava possuída por Deus. Tornou-se o seu primeiro discípulo.

Em 1924, ele e Nirmala se mudaram para uma casa de campo no estado de Shahbag e, enquanto Bholanath cultivava os jardins, Nirmala cultivava um número crescente de devotos. Uns foram atraídos pelos rumores de curas milagrosas, outros pela músicas. A voz de Nirmala quando cantava as glórias de Deus, era sublime. A população logo começou a chama-la de Mãe do Mundo.

As palavras dessa mulher radiante surpreendiam os seus visitantes. Ela falava com autoridade sobre estados além do tempo e do espaço, como se os conhecesse intimamente.

"O tempo devora incessantemente. Tão logo a infância acaba, a juventude assume o seu lugar - uma engolindo a outra. Mas, na realidade, o surgimento, a continuidade e o desaparecimento ocorrem simultaneamente em um só lugar. Tudo é infinito; infinito e finito são, de fato, a mesma coisa. Em uma grinalda, há um único fio, embora haja lacunas entre as flores. São as lacunas que causam a carência e o sofrimento. Preenche-las é se libertar."

Nirmala ensinava os seus extasiados discípulos a preencherem as lacunas com o amor a Deus e submissão à Sua vontade. Ela insistia em que Deus não era somente o criador do universo, mas também a essência do próprio ser da pessoa. "A verdadeira natureza do homem - dê a isto o nome que voce quiser - é o Eu supremo de tudo."

Em 1924, Nirmala parou de se alimentar. Ela observou com desinteresse característico, que as suas mãos simplesmente não conseguiam levar o alimento à sua boca. Pelo resto de sua vida, os devotos precisaram alimentá-la como a um bebê.

Em 2 de junho de 1932, à meia noite, Nirmala convocou um punhado de discípulos íntimos e fez uma surpreendente participação. Estava partindo. Por que? suplicaram seus devotos. Para onde ela iria?

Ela explicou que não sabia e partiu imediatamente. Durante um ano, ela se estabeleceu em um templo abandonado de Shiva, perto de Dehradun, aparentemente se submetendo a severa penitência, mas, de fato, como ela mesma admitiu, permanecendo em uma inexprimível alegria. De qualquer maneira, esse foi o último local no qual pode-se dizer que Anandamay-Ma morou. Depois disso, ela se mudou constantemente. Em cada lugar em que parou, surgiram "ashrams" e instituições de caridade.

Algumas histórias

Apesar da ausência de um guru externo, Nirmala não estava, de maneira alguma, sem orientação espiritual. O seu Kheyal, ou Guia Interior, direcionava o curso da sua vida.(...) As centenas de histórias sobre o Kheyal de Anandamayi Ma são lendárias.

Por exemplo, uma noite, no meio de um kirtan (cântico religioso), Nirmala se levantou e saiu andando rapidamente para fora da casa. Dois devotos correram atrás dela, perguntando para onde estava se dirigindo.

Sarnath - respondeu ela.

Sarnath ficava a muitas milhas de distância.

- Por que voce está indo esta noite? quiseram saber os devotos. - Não há nenhum trem para Sarnath a esta hora!

Nirmala continuou em ritmo apressado até a estação ferroviária. A seu pedido, um devoto comprou um bilhete para o trem postal que passaria perto de Sarnath, mas que não estava programado para parar lá. Nos arredores de Sarnath, o trem parou inexplicavelmente. Nirmala e os seus dois entontecidos devotos saltaram.

- Qual o caminho para o Hotel Birla? - perguntou ela.

Eles não tinham a menor idéia. Ela continuou andando vigorosamente, com o seu minúsculo séquito correndo para acompanhar.

O hotel surgiu e os três entraram apressadamente. Nirmala ignorou o hoteleiro e se dirigiu diretamente para um quarto. Quando eles se aproximaram, os devotos escutaram uma mulher gemendo dentro do quarto. Nirmala bateu com força na porta dizendo:

- Está tudo bem! Estou aqui!

A porta se abriu e os devotos ficaram surpresos ao ver Maharattan, uma condicípula. Maharattan tinha chegado poucas horas antes em Sarnath. Estava desamparada e sem dinheiro, e, desde então, tinha estado chamando por Anandamyi Ma.

Nirmala passou o resto da noite caçoando de Maharattan.

Indubitavelmente, esta experiência curou a agradecida devota de qualquer ansiedade durante algum tempo! (....)

Em 1955, quando o juiz distrital de Vindhyachal soube que Anandamayi Ma estava visitando a sua área, correu para ter o seu darshan (a benção de ver um santo em pessoa).

Ma parecia estar esperando por ele, e levou-o para a varanda. Apontando para o jardim embaixo, ela instruiu:

- Deuses e deusas estão por aí, debaixo da terra. Eles me disseram que é muito cansativo ficar enterrado e que gostariam de ser retirados. Voce pode ajudá-los?

Imediatamente o juiz reuniu um grupo de trabalho e começaram a cavar. Penetrar na rocha sólida era um trabalho árduo.

No segundo dia, o grupo estava cheio de irritação, questionando se o juiz tinha perdido a razão. No terceiro dia, eles descobriram duzentas primorosas estátuas antigas enterradas na lama.

Anandamayi Ma era abraçada não apenas pelas pessoas simples, mas também pelos maiores intelectuais, santos e políticos da India, incluindo Mahatma Gandhi, que se encontrou com ela em 1942, e Indira Gandhi, que a admirava desde a infância.

Quando o maior intelectual da India, Gopinatha Kaviraj, visitou Ma, as respostas às suas questões filosóficas de difícil compreensão que esta mulher sem educação formal instantaneamente ofereceu, o surpreendeu tanto que ele se mudou para o ashram dela, onde passou o resto de sua vida.

A estima por Anadamayi Ma se refletia nos acontecimentos que cercavam as suas aparições nos Kumbha melas da India, feiras religiosas que atraíam milhões de peregrinos, incluindo os dirigentes de muitas das principais instituíções religiosas indianas. A rivalidade entre os vários líderes religiosos é famosa e, às vezes, infelizmente, tempera as melas com intolerância, ao invés de com o espírito de harmonia que as feiras pretendem promover.

Na última década da vida de Ma, parecia só haver uma única coisa com a qual os dignitários religiosos no kumbha mela concordavam: todos iam à barraca de Ma para se curvarem reverentemente diante da mulher idosa cuja santidade era tão plenamente evidente que até mesmo o mais rancoroso deixava o seu egotismo, junto com as suas sandálias, do lado de fora da porta. Brâmanes inimigos apareciam pedindo a Ma que arbitrasse as suas disputas; após alguns minutos em sua silenciosa e luminosa companhia, os argumentos enfraqueciam e eles podiam sair da barraca sorridentes e se abraçando.

Foi ali que Ma finalmente foi reconhecida como a Mãe Universal; a santa cuja compaixão não conhecia barreiras de casta, credo ou nacionalidade; a santa diante da qual todas as pessoas, independente da sua formação, reverenciavam a serenidade.

O encontro de Paramahansa Yogananda com Ma, como descrito no seu clássico Autobiografia de um Iogue, foi a primeira apresentação de Anandamayi Ma para muitos ocidentais.

Um verdadeiro exemplo de santidade

Anandamayi Ma não escrevia e nem dava conferências; simplesmente vivia na presença divina. Do seu ponto de vista, ela não servia às outras pessoas porque não as via como separadas de si mesma. Remover o sofrimento delas era simplesmente aliviar a si própria.

Embora os seu devotos a tivessem visto viajando por toda a India, ela nunca foi a lugar algum: "Para este corpo, a questão do ir e vir absolutamente não procede. Este corpo não vem nem vai a lugar algum. O universo como um todo é o lar deste corpo. Para onde este corpo pode ir? Em todos os lugares, só existe uma única consciência onipresente. Não há nenhum espaço para o corpo se mover ou até mesmo para se virar. Mesmo se for empurrado, ainda estará lá."

Afortunadamente para a posteridade, diversos seguidores de Anandamayi Ma anotaram as respostas dela às suas perguntas; esses diários constituem a parte principal de sua mensagem para a humanidade.

Sobre os desejos mundanos ela dizia: "se voce deseja fama ou riqueza, Deus irá dá-la a voce, mas voce não se sentirá satisfeito. O reino da consciência é uma unidade, e, até que vivencie isto em sua totalidade, voce nunca ficará contente. Ao mesmo tempo, Deus lhe concede um pouquinho da sua alegria para manter vivo o seu descontentamento, porque, sem esta insatisfação, voce não irá progredir. Voce, um filho da imortalidade, nunca pode se sentir à vontade no reino da morte e nem Deus irá permitir que voce permaneça ali. Lembre-se que o sofrimento que voce experimenta é o início de um despertar da consciência."

O que é um guru? "Todo mundo é um guru. Cada pessoa através da qual alguém aprendeu algo, não importa o quão insignificante seja. Porém, o verdadeiro guru é aquele cujos ensinamentos guiam voce em direção a compreensão do Eu. Implore continuamente a Deus para que ele possa Se revelar a voce como o seu Mestre Espiritual e a menos que voce descubra o guru interior, nada pode ser alcançado. (..........)

Ananadamayi Ma ensinava que a única realidade é a realidade divina; que a nossa percepção de nós mesmos como separados de Deus é apenas um sonho, uma imposição da ignorância, e que as pessoas que se libertam dos seus apegos a desejos mesquinhos e motivações egoístas, voltando-se sinceramente para o divino, não no céu mas em si mesmas, podem viver cada momento em perfeita alegria. Disto, ela mesma era um exemplo vivo.

A maior contribuíção de Anandamayi Ma não foi tanto o que ela fez ou o que disse; é o que ela foi. Ela surpreendeu e inspirou a milhões de pessoas - primeiro na India, depois por todos os lugares do mundo - pelo seu verdadeiro ser: incessantemente radiante, totalmente unido ao divino e, no entanto, constantemente sensível às necessidades de todos os que chegavam até ela.

A resposta enigmática de Ma à pergunta frequentemente verbalizada por seus devotos, "Quem é Voce?", era: "Eu sou tudo aquilo que voce achar que sou". Talvez isso fosse um indício de que Anandamayi Ma era simplesmente um espelho daquilo que há de mais puro e mais maravilhoso dentro de nós mesmos e de que o propósito da sua existência era somente o de nos mostrar o que todos nós podemos ser.

Para nós, hoje, a quase iletrada camponesa de Bengala oferece um exemplo radical de uma mulher realmente liberada; um ser humano que amou todas as pessoas que chegaram até ela como se fossem seus próprios filhos e, no entanto, permaneceu independente de todos; que serviu constantemente as outras pessoas sem se preocupar se elas eram suficientemente agradecidas.

Relatos de discípulas americanas:

Carol Devi

- Ela tinha uma presença e uma existência surpreendentes. O poder da sua presença se irradiava por uma enorme circunferência. Muitas vezes, voce não conseguia ficar tranquilo porque havia pessoas demais ao redor dela, mas voce também não precisava tentar meditar. As vibrações de Ma eram tão fortes que empurravam voce para a meditação.

Não importava de que religião voce era. Não havia a sensação de que uma religião era melhor do que outra. Todas as crenças e dogmas se tornavam uma só coisa para Ma.

- Eu podia ir a qualquer grupo que desejasse - diz Carol - mas nunca houve qualquer dúvida em minha mente sobre quem era o meu guru. Eu tinha uma relação de total intimidade com Ma, mas todas as pessoas na mesma sala tinham a mesma experiência. Era como Krishna com as "gopis".

Enquanto o avatar Krishna vivia na aldeia rural de Vrindavan, todas as "gopis", as camponesas que cuidavam das vacas, eram apaixonadas por ele. Uma noite, para satisfazer os desejos delas, ele as convidou para dentro da floresta. Então, ele emanou de si mesmo dezenas de Krishnas idêntidos, e cada um deles dançou durante a noite mística com uma "gopi" diferente. Cada moça acreditou que estava sozinha com o Senhor, que ele pertencia apenas a ela.

Do mesmo modo, Carol Devi era a pessoa mais especial do mundo para Ma, assim como o eram todas as outras almas admitidas na presença da santa.

Embora Anandamayi Ma já fosse idosa quando Carol a conheceu, acompanha-la era estafante.

- Contudo, foi espiritualmente estimulante. Era como andar com Jesus.
---

Hari Priya

A americana Hari Priya escreveu para Ma perguntando se teria permissão de ve-la. Ma respondeu: " Voce será sempre bem vinda. Se for a hora de voce vir, Deus tomará as providências."

O dinheiro para a viagem materializou do éter e, duas semanas mais tarde Hari Priya estava em Dehra Dun.

- Se Cristo ou qualquer outra pessoa santa estivesse na terra, eu iria ve-las. Portanto, evidentemente, fui ver Ma.

Hari Priya dificilmente consegue conter as lágrimas quando se lembra da sua primeira visão diante de Ma. Ma entrou no quarto trazendo uma flor. (.....)

Providências foram tomadas, de modo que Hari Priya pudesse morar na vizinhança.

- Aquela primeira viagem foi a nossa lua-de-mel. Durante as suas "darshans," eu me sentava a trinta centímetros de distância dela. As viagens subsequentes nem sempre foram tão tranquilas.

- Muitas vezes, ela me ignorou. Era para anular o meu ego. Eu tinha um sutil orgulho espiritual. Ma o estava cortando pela raiz. Depois, fazendo algo especial, ela me preencheria novamente com a sua alegria.

Hari Priya recorda com particular ternura a vez em que a Mãe se sentou segurando as suas mãos e lhe disse:

- Voce percorreu todo esse caminho por amor a mim. Voce sofreu demais por este corpo. Esta é a sua grandeza.

Ela transformava todas as situações em uma usina espiritual, um céu. Na maioria das vezes Ma ficava sentada em silêncio, mas também podia estar espirituosa e contar histórias maravilhosas. O seu fascínio era envolvente. Vibrava com o poder espiritual. A sua risada era transcendental...podia penetrar em nosso coração.

Hari Priya se lembra da vez em que um devoto mencionou a um outro que Ma raramente tomava banho.

- Ela não precisava, o seu corpo era tão puro! Tinha uma fragrância única, como o lótus, a banana e o sândalo.

No dia seguinte em que o discípulo fez este comentário, Ma tomou trinta banhos. O devoto se absteria de fazer comentários semelhantes no futuro.

Hari Priya recorda o terrível dia em 1982, apenas nove dias antes dela partir em sua décima viagem à India, no qual uma condiscípula telefonou.

- Ela não precisou me contar. Eu o soube pelo tom da sua voz. (......)

Voltou à India e visitou os asrahms em Pune, Hardwar e Dehra Dun. (.....)

- Não há um dia que passe sem que eu me lembre dela. Pergunte a qualquer um dos devotos de Ma e ele lhe dirá a mesma coisa. O tigre o mantém no seu abraço!


Olho fixamente para a mansão branca, visível do nosso barco no Ganges. Grandes letras hindus proclamam que este é o "ashram" de Anandamayi Ma em Benares. Para o meu imenso pesar, cheguei tarde mais para encontrar uma das maiores santas de todos os tempos.

Já faz mais de uma década desde que o corpo físico de Anandamayi Ma partiu desse mundo. (Evidentemente, a própria Ma insistiria em que não foi para lugar algum - que permanece, como sempre, a mesma.)

Mas o seu legado de amor e sabedoria permanecerá enquanto a humanidade tratar com carinho este número reduzido de seres extraordinários que chamamos de santos, aqueles que enunciam um estado do ser tão abrangente e bem-aventurado quanto o próprio universo, além das limitações da nossa consciência comum.

Alguns ensinamentos de Anandamayi Ma

"Assim como na vida cotidiana, no campo espiritual o que conta mais é a paciência."

" Permaneça sempre calmo e não se esqueça de que tudo o que Deus faz a qualquer tempo é benéfico. Porque se inquietar, se no curso dos eventos, as circunstâncias se modificam? Tudo o que acontece a todo instante ocorre de acordo com a Sua vontade."

"Seja qual for a situação em que Deus o colocar a qualquer instante, lembre-se de que é o que há de melhor. Procure atravessar a vida entregando de volta o seu fardo em Suas mãos; Ele é o Protetor, o Guia; Ele é tudo em tudo".

Pergunta: "Durante a meditação e a prece, como liberar nosso espírito das preocupações com o trabalho, as responsabilidades familiares: marido, filhos, etc? O que fazer?

Ma: Deixe o trabalho se realizar por si só sem se preocupar. Trabalhe sem ter a impressão de que é você que trabalha. Considere que é o trabalho de Deus, feito através de sua intermediação, e que você é Seu instrumento. Assim seu espírito estará calmo e pacífico. É isso a prece e a meditação."

"O homem nasce a fim de esgotar seu karma e escapar do ciclo de nascimentos e renascimentos. Mas o homem que possui um poder supranormal, quer dizer aquele no qual despertou o poder divino, pode modificar seu karma. O guru se manifesta a partir do interior. Quando surge uma busca verdadeira, autêntica, a iluminação se produz forçosamente. Não pode ser de outra forma. Aquele que surge sob os traços do guru é revelado ou então Se revela Ele-mesmo."

"Você já fez tanto no mundo da ação! Agora esforçe-se para consagrar inteiramente seu espírito ao Eterno. Não perca um tempo precioso. Os que não praticam a contemplação de Deus - ou em outros termos, não avançam em direção à realização do Ser - se destróem eles mesmos. Apegue-se ao Bem, renuncie ao que não é senão prazer."

"Sorria o mais que puder. Fazendo isto, todos os nós rígidos no seu corpo serão afrouxados. Tornando seus os interesses das outras pessoas, busque refúgio a seus pés com total entrega. Então voce verá o quanto o riso que flui do seu coração irá iluminar o mundo."

Por que existem religiões diferentes e tanto conflito entre elas? "A controvérsia faz parte da trajetória, mas, na verdade, todos estão em sua própria casa. O mesmo caminho não é para todo mundo. Mesmo dentro de uma família, cada filho tem inclinações diferentes. Cada pessoa em busca espiritual é moldada em um caminho único, mas todas precisarão passar pelo portão da verdade".

fonte: http://www.almasdivinas.com.br/filhas_deusa/sob_a_perspectiva_da_de..


http://seresdeluzemharmoniacomanatueza.ning.com/group/nossamemariaeseusfilhos/forum/topic/show?id=3661151:Topic:41437&xgs=1&xg_source=msg_share_topic

Assistam - Um Lar para Cada Cão


Assistam - Um Lar Para Cada Cão. www.caosemdono.com.br Vamos salvar os animais e tirá-los das ruas. Esta é uma campanha da ONG Cão Sem Dono.

http://redebichos.ning.com

OS ANIMAIS NO PLANO ESPIRITUAL

OS ANIMAIS NO PLANO ESPIRITUAL


Uma análise sobre como ocorre o processo evolutivo e reencarnatório no reino animal. Por Dra. Irvênia Prada

Na literatura espírita, encontramos com bastante freqüência alusões a figuras de animais no plano espiritual.

Por exemplo, Hermínio C. Miranda, em Diálogo com as Sombras, descreve o "dirigente das trevas" como sendo visto quase sempre montado em animais.

Brota imediatamente em nossa mente a pergunta:

Qual a natureza desses animais?

Também André Luiz refere-se, em suas obras, a cães puxando espécies de "trenós" (livro Nosso Lar), aves de monstruosa configuração (Obreiros da Vida Eterna), e assim por diante.

Realmente, identificar a natureza dessas figuras de animais no plano espiritual não é tarefa fácil.

Alguns casos são de mais direto entendimento.

Assim, em A Gênese lê-se que "o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos dos quais tem o hábito de se servir; um avaro manejará o ouro..., um trabalhador o seu arado e seus bois... "

Esses bois, portanto, não são animais propriamente ditos, mas, criações fluídicas, formas-pensamento.

Em outras situações, em que são vistos animais ou sentido a sua presença, existe também a possibilidade de que sejam, mesmo, perispíritos de animais ou, se quisermos assim dizer, animais desencarnados.

Digo animais desencarnados mas, haveria ainda a hipótese de serem também animais encarnados, em "desdobramento" (viagem astral), estando então seu espírito e perispírito desprendidos do corpo físico, por exemplo, durante o sono.

Mas, o espírito Alvaro esclareceu-nos, dentre muitas outras questões, que "os animais quando encarnados possuem raros desprendimentos espirituais, isso acontecendo apenas em casos de doenças, fase terminal da existência ou em casos excepcionais com a atuação dos espíritos, pois geralmente permanecem fortemente ligados à matéria".

Esta possibilidade de explicação da presença de animais no plano espiritual, de modo particular os animais desencarnados, me parece lógica e portanto, aceitável.

O nosso prezado confrade Divaldo Pereira Franco contou-me, certa feita, que há alguns anos, esteve em determinada cidade brasileira, para uma conferência e, ao ser recebido na casa que iria hospedá-lo, assustou-se com um cachorro grande, que lhe pulou no peito. A anfitriã percebeu-lhe a reação:

- O que foi, Divaldo?

Foi o cachorro, mas está tudo bem!

Que cachorro, Divaldo, aqui não tem cachorro nenhum!

- Tem sim, esse pastor aí!

- Divaldo, eu tive um cão da raça pastor alemão, mas ele morreu há um ano e meio!

E Divaldo concluiu: - era um cão espiritual!

Segundo o meu entendimento, é possível e até muito provável que esse cão desencarnado ainda estivesse por ali, no ambiente doméstico que o acolheu por muitos anos, tendo sua presença sido detectada pela mediunidade de Divaldo Franco.

Não posso deixar de referir, novamente, a obra magnífica Os Animais tem Alma?, de Ernesto Bozzano, que recomendo para leitura e aprendizado sobre o assunto, porque dos 130 casos descritos, de manifestações metapsíquicas envolvendo animais, muitos estão inseridos nesta categoria de fenômenos, ou seja, em que animais, pela atuação de seu perispírito são vistos e ouvidos ou sentido sua presença.

Herculano Pires também comenta a respeito de "casos impressionantes de materialização de animais, em sessões experimentais", em seu livro Mediunidade.

Vida e Comunicação, do que se presume que esses animais se encontravam previamente na dimensão espiritual.

Uma terceira possibilidade que vejo, em relação à presença de figuras animais no plano espiritual é a de perispíritos humanos se encontrarem metamorfoseados em formas animais, sem contudo, perderem a sua condição de espíritos humanos, é claro! E o fenômeno que se conhece com o nome de zoantropia (zôo = animal e antropos, do grego = homen), do qual uma variedade é a licantropia (tycos, do grego = lobo).

Temos o relato de um caso de licantropia no livro Libertação, de André Luiz. O obsessor, desencarnado, encontra a sua "vítima", uma mulher, e conhecendo-lhe a fragilidade sustentada por um complexo de culpa, passa a acusá-la cruelmente, e conclui "

- A sentença está lavrada por si mesma! Não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba... ".

E assim, induzida hipnoticamente, sua própria mente vai comandando a metamorfose de seu perispírito que, aos poucos e gradativamente se modifica, assumindo por fim, a figura de uma loba.

Diga-se de passagem, não foi o obsessor que diretamente transformou a sua figura humana, em loba. Foi ela mesma, ao aceitar a sugestão mental que partiu dele.

Afinidade e sintonia são o elementos básicos para o estabelecimento do "pensamento de aceitação ou adesão", conforme explica André Luiz em Mecanismos da Mediunidade.

E por falar em perispírito de animais, em A Evolução Anímica, Gabriel Delanne comenta (resumidamente), que na formação da criatura vivente, a vida não fornece como contingente senão a matéria irritável do protoplasma e nada se lhe encontra que indique o nascimento de um ser ou outro, de vez que a sua composição é sempre uma e única para todos.

É o perispírito, que contém o desenho prévio e que conduzirá o novo organismo ao lugar na escala morfológica, segundo o grau de sua evolução.




A REENCARNAÇÃO

Em O Livro dos Espíritos, encontramos a seguinte questão que Kardec coloca aos espíritos: - O que é a alma (entenda-se humana) nos intervalos das encarnações?

R - "Espírito errante, que aspira a um novo destino e o espera".

Nas questões que se seguem, lemos também a expressão "estado errante".

Um dos significados da palavra errante, no dicionário de Caldas Aulete é "nômade, sem domicílio fixo", e de errar, é "vaguear" (errando ao acaso... ).

Por sua vez, erraticidade, o mesmo que erratibilidade, quer dizer: "caráter do que é errático. (Espir.) Estado dos espíritos durante os intervalos de suas encarnações".

Bem, chegando aos animais, surge a natural curiosidade de se saber como o seu espírito se comporta na erraticidade, se é que para eles existe erraticidade.

No Livro dos Espíritos lemos "- A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, fica num estado errante, como a do homem após a morte?

R - "Fica numa espécie de erraticidade, pois não está unida a um corpo.

Mas não é um espírito errante. O espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade.

É a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do espírito.

O espírito do animal é classificado após a morte, pelos espíritos incumbidos disso, e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".

Bem, vamos por partes!

Algumas pessoas entendem, a partir desse texto, que os animais, assim que desencarnam, são prontamente reconduzidos à reencarnação.

A expressão "utilizado quase imediatamente" não necessariamente deve ter esse significado.

O espírito do animal pode ser prontamente "utilizado "para uma infinidade de situações, dentre elas, inclusive, o reencarne, e então, em todas elas, "não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".

Entendo que os animais, sendo conduzidos por espíritos humanos, não dispõem de tempo livre, digamos assim, para se relacionarem com outras criaturas, ou fazer o que quiserem, a seu bel-prazer mas, sim da maneira como decidiram seus orientadores.

Aliás, é o que sugere o texto em foco "O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade".

Em O Livro dos Médiuns, Kardec trata da possibilidade da evocação de animais e pergunta aos espíritos: "- Pode-se evocar o Espírito de um animal?".

R: "- O princípio inteligente, que animava um animal, fica em estado latente após a sua morte.

Os espíritos encarregados deste trabalho, imediatamente o utilizam para animar outros seres, através das quais continuará o processo de sua elaboração.

Assim, no mundo dos espíritos, não há espíritos errantes de animais, mas somente espíritos humanos..." Herculano Pires, tradutor da obra, faz a seguinte chamada em rodapé: Espíritos errantes são os que aguardavam nova encarnação terrena (humana) mesmo que já estejam bastante elevados.

São errantes porque estão na erraticidade, não se tendo fixado ainda em plano superior.

Os espíritos de animais, mesmo dos animais superiores, não tem essa condição. Ler na Revista Espírita n° 7 de julho/ 1860, as comunicações do espírito Charlet e a crítica de Kardec a respeito.

Apesar da colocação dos espíritos ter sido taxativa, de que não há espíritos errantes de animais, os fatos falam ao contrário. Se assim fosse, isto é, se não existissem animais (desencarnados) no plano espiritual, como explicaríamos tantos relatos? Como explicaríamos a existência dos chamados "espíritos da natureza?".

Ernesto Bozzano, em Os animais têm alma? refere, dentre os 130 casos de fenômenos supranormais com animais, dezenas de episódios com aparição de bichos em lugares assombrados, com materialização e visão com identificação de fantasmas de animais mortos.

Novamente, em O Livro dos Espíritos, lemos "Nos mundos superiores, a reencarnação é quase imediata". Se é assim a reencarnação dos espíritos mais evoluídos, seria até de se esperar que os espíritos de animais, sendo mais primitivos, demorassem mais tempo para voltar à matéria. Entretanto, nada conheço de conclusivo sobre esta questão.




ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL

Muito mais do que supomos, os animais são assistidos em seu desencarne por espíritos zoófilos que os recebem no plano espiritual e cuidam deles.

Notícias pela Folha Espírita (dez. 1992) nos dão conta de que Konrad Lorenz - zoólogo e sociólogo austríaco, nascido em 1903 -, o pai da Etologia (ciência do comportamento animal, que enfoca também aspectos do comportamento humano a ele eventualmente vinculados) continua trabalhando, no plano espiritual, recebendo com carinho e atenção, animais desencarnados.

Também temos informações que nos foram transmitidas, pelo espírito Álvaro, de que há vários tipos de atendimento para os animais desencarnados, dependendo da situação, especialmente para os casos de morte brusca ou violenta, possibilitando melhor recuperação de seu perispírito.

Existem ainda instalações e construções adequadas para o atendimento das diferentes necessidades, onde os animais são tratados.

Tendo sido perguntado se os animais têm "anjo da guarda", Álvaro respondeu que sim; alguns espíritos cuidam de grupos de animais e, à medida que eles vão evoluindo, o atendimento vai tendendo à individualização.

Concluindo, podemos dizer que para os animais é discutível se existe o estado errante ou de erraticidade.

Eu, particularmente, estou propensa a aceitar que esse estado existe, sim, para os animais, se o entendermos como "o estado dos espíritos durante os intervalos das encarnações".

Se esses intervalos são curtos ou longos, não se sabe exatamente.

Penso que existem situações das mais variadas possíveis, face à grandeza da biodiversidade animal, devendo, portanto, acontecer tanto reencarnes imediatos, quanto mais ou menos tardios.

Por outro lado, existe ainda, a consideração feita de que o espírito errante pensa e age por sua livre vontade, além de ter consciência de si mesmo, o que não aconteceria em relação aos animais.

Mas, isso não aconteceria até mesmo com espíritos humanos em determinadas e graves condições de alienação mental, como é o caso dos "ovóides", a exemplo do que refere André Luiz, no livro Libertação.

A rigor, nesta abordagem, teríamos que condicionar o conceito de erraticidade, não apenas ao fato do espírito (humano ou animal) estar desencarnado - vivenciando, portanto, o intervalo entre duas encarnações - como também às suas condições mentais do momento.

Quanto ao reencarne dos animais, perguntou-se ao espírito Álvaro se os animais estabelecem laços duradouros entre si."

- Sim, existe uma atração entre os animais, tanto naqueles que formam grupos como naqueles que reencarnam domesticados.

Procuramos colocar juntos espíritos que já conviveram, o que facilita o aparecimento e a elaboração de sentimentos".

E qual é a finalidade da reencarnação para os animais?

Conforme os espíritos da codificação, a finalidade é sempre a da oportunidade de progresso.

Extraído do livro: A questão espiritual dos animais




TODOS OS ANIMAIS MERECEM O CÉU

Este foi o título escolhido pelo autor e veterinário Marcel Benedeti para o livro que relata a reencarnação dos animais, a eutanásia, o sofrimento como forma de evolução desses seres, a existência de colônias que cuidam dos animais no plano espiritual e outras questões importantes.

A obra foi uma das premiadas no Concurso Literário Espírita João Castardelli 2003-2004, promovido pela Fundação Espírita André Luiz.

Esse foi o primeiro livro do autor que se especializou em homeopatia para animais e conheceu a doutrina espírita na época em que cursava a faculdade, apesar de sua mediunidade ter se manifestado muito antes desse período.

Marcel relata que quando trabalhava em uma livraria e se preparava para prestar vestibular, em um dia de pouco movimento, foi para a parte de baixo da loja estudar e notou que estava sendo observado por um senhor.

Resolveu perguntar se o senhor desejava alguma coisa e ele lhe respondeu que só estava achando interessante ele estudar, então explicou que queria passar no vestibular de veterinária e o velhinho disse que não se preocupasse porque passaria.

Previu também outros fatos que aconteceriam.

Em seguida se despediu dizendo que se veriam depois. Após alguns instantes comentou com seu colega de trabalho que tinha achado aquele homem esquisito por fazer previsões do futuro.

O colega disse que não havia entrado ninguém na livraria, foi então que se deu conta de que se tratava de um espírito.

Este mais tarde é que lhe ditaria o livro.

O tema da obra fez tanto sucesso que se transformou também em programa de rádio.

Nossos irmãos animais vai ao ar toda quarta-feira, às 13h na Rede Boa Nova.

Com apresentação de Ana Gaspar, Maria Tereza Soberanski e Marnel Benedeti.

Como o livro foi escrito?

Escrevi o livro em menos de um mês, durante os intervalos das consultas, mas o espírito que ditou não quis se identificar.

As cenas foram surgindo em uma tela mental e ao mesmo tempo um espírito narrava os episódios. Outras vezes, não havia imagem, apenas a narrativa; nesses momentos se tornava mais difícil.

Apesar de achar o livro maravilhoso, não acreditava que alguma editora pudesse se interessar pelo assunto.

Mas certo dia estava ouvindo a rádio Boa Nova quando anunciaram o concurso literário espírita.

Resolvi participar e acabei ganhando o concurso 2003-2004 e editando o livro pela editora Mundo Maior.

O que o livro acrescentar para os veterinários e pessoas que possuem animais?

Se as pessoas não tiverem a visão espiritual em relação aos animais, que eles tem espírito e sentimentos vão continuar tratando esses seres como objetos, como era há pouco tempo atrás.

Essa onda de conscientização é recente.

Entramos na questão também de comer carne; cada um tem que perceber o que está fazendo.

Eu mesmo comia carne e parei para pensar porque comia, se meu corpo recusava, me fazia mal...

Mas quando comecei a lembrar as descrições feitas no livro a respeito do matadouro, passei a sentir repugnância da carne.

Sendo veterinário e espírita, como analisa a questão da eutanásia?

O ser humano tem o carma, o animal não. O animal tem consciência, mas muito mais restrita, em relação ao ser humano. Ele segue muito mais os seus instintos.

Então, como não tem carma, a eutanásia deve ser o último recurso utilizado; o veterinário deve fazer todo o possível para salvá-lo.

Se o animal estiver sofrendo muito e não existir outra maneira, o plano espiritual não condena, porque é um aprendizado tanto para o animal quanto para o dono que precisa tomar a decisão.


Os animais reencarnam?

Há um capítulo no livro que explica como ocorre a reencarnação dos animais.

Este descreve que cada espécie de animal leva um tempo para reencarnar, mas por possuírem o livre-arbítrio ainda muito restrito, uma comissão avalia as fichas dos animais e estabelece o ambiente que deverão nascer e a espécie.

Como o conhecimento espiritual pode ajudar o veterinário no trato com os animais?

O veterinário, em geral, por natureza, mesmo não sabendo já é espiritualizado, pelo fato de gostar de animais e querer salvar a vida deles. Quando o veterinário adquire consciência de que o animal não é um objeto e sim um ser espiritual, que possui inteligência e sentimento, muda o seu ponto de visa, passa a enxergar os fatos de uma forma mais ampla.

Com certeza se mais veterinários tivessem um conhecimento espiritual, o tratamento em relação aos animais seria melhor.

Como é aplicada a homeopatia para animais?

No Brasil, a homeopatia ainda é pouco aplicada nos animais porque muitos acham que não funciona.
Só utilizo a homeopatia quando o dono do animal permite e, em casos mais graves, a homeopatia entra como terapia complementar, porque demora um pouco mais para trazer resultado e alguns casos são urgentes.

O uso da homeopatia é igual tanto para pessoas quanto para animais.

A única diferença é que o animal não fala, então o dono precisa ser um bom observador para relatar a personalidade do animal para o veterinário, e muitas vezes, não possui as informações necessárias para um diagnóstico mais preciso.

Pergunto, por exemplo, se o animal gosta de quente ou frio, do verão ou do inverno, a posição em que dorme, entre outras perguntas do gênero.

Tive o caso, de um gato com câncer e que em decorrência da doença estava com o rosto deformado.

Como tratamento ele melhorou 70%. Só não foi melhor porque esse gato saia e demorava a voltar e com isso interrompia o tratamento.

Cuidei também de um cachorro com problema de comportamento muito; agressivo.

O animal, depois de 10 dias, parecia outro, muito mais calmo.

Utilizo também florais para animais em casos emocionais.

Se nós equilibramos emocional, o organismo ganha condições combater as bactérias.

E os próximos livros?

Já tenho na editora outro livro em análise que tem o título: Todos os animais são nossos irmãos.

E já estou escrevendo o terceiro.

Pelas informações que recebi do plano espiritual, serão seis livros.


Entrevista realizada por Érika Silveira

(Extraído da Revista Cristã de espiritismo nº 29, páginas 54-59)


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Healing Sequence ("sequência de cura") - Making off e música

Este clipe apresenta como foi sintonizada e produzida a música “Healing Sequence” (Sequência de Cura), uma das 14 faixas do CD “Qadosh – Música Canalizada & Mantras Codificados”, de Stekel.


http://www.youtube.com/watch?v=4VAqR5IfSIk

Paulo Stekel é um escritor poliglota, especialista em línguas sagradas, e que trabalha como jornalista, editor, tradutor, revisor e tudo o que se relaciona à espiritualidade universal. Filho de músico, após muitos anos pesquisando a relação entre Canalização, Cabala e Música, passou a desenvolver um trabalho musical específico com música espiritual, que inclui música canalizada e mantras codificados.

O CD “Qadosh – Música Canalizada & Mantras Codificados” é seu primeiro trabalho em música. Seu objetivo é demonstrar como a música pode ser aliada da espiritualidade, pois todas as faixas do CD ou foram canalizadas através de seu mentor Danea Tage e depois produzidas, ou foram codificadas a partir de nomes sagrados da língua hebraica (além de nomes angélicos), tudo visando o reequilíbrio energético pelo simples ato de ouví-las. No final, as faixas foram masterizadas em estúdio.

Para maiores informações, consulte o blogue: http://stekelmusic.blogspot.com
Para pedidos do CD “Qadosh – Música Canalizada & Mantras Codificados”, contate pelo email pstekel@gmail.com.

Música & Canalização

Paulo Stekel

I – Sons codificados e mantras em nova roupagem



Introdução

Robert Fludd (1574-1637), alquimista inglês do século XVII, com a sua "música das esferas", dizia que todo o universo é um instrumento musical cromático e que o próprio Deus é músico. Os astros estão dispostos segundo as regras da harmonia musical, as distâncias que os separam respeitam as proporções dos intervalos. Cabe-nos ouvir adequadamente tal música das esferas, algo semelhante ao “som sutil” da filosofia indiana.

A música emite uma frequência elevada e trabalha diretamente no nosso campo energético, gerando uma sintonização entre os sons com os diversos níveis de nosso ser e promovendo, inclusive, cura espiritual, equilíbrio emocional e psíquico no ser. Claro que isso depende do tipo de música que se ouve.

Mesmo quem ouve música desconhecendo este processo está sendo trabalhado pelos sons. Porém, uma música muito agressiva pode vir a ter o efeito contrário, gerando raiva, revolta, medo e depressão. Por isso temos, de ter cuidado com o que ouvimos, e quando ouvimos, pois uma música pode nos induzir a desarmonias sutis, baixando a freqüência, alterando o estado de ânimo e levando-nos a cometer atos impensados e de conseqüências negativas.

Em uma canalização feita no Chile, o canal Lee Carroll, manifestando Kryon, disse sobre a música:

“Cada tom de uma música tem sua própria vibração. Quando os tons se apresentam em conjunto, se dá a complexidade. Independentemente do número de notas que se tocam ao mesmo tempo da escala musical, o ouvido humano está preparado para escutá-las todas. Igual que toda obra de arte, não há limite na composição destes sons, e ademais, não importa quantos instrumentos estejam tocando juntos, é ilimitado... O que o ouvido humano pode escutar, é ilimitado. (...)Isto é algo interdimensional.

(...) Assim, aquele que vocês chamam [Robert] Coxon, é realmente um cientista, um cientista do som. Ele tem a magia e descobriu o que sabemos, o dom que recebeu através dos tempos.

Não é sua primeira vida como músico. Ele mesmo pode se surpreender quem ele foi de verdade, apesar dele ter uma idéia... Talvez se surpreenda ao saber qual foi o seu instrumento de verdade. Mas ele tem uma idéia disto...

Ele falou de algo que talvez vocês já conhecem como a “quinta aberta”. Permitam-me compartilhar algo universal. Chegará o dia em que os cientistas saberão sobre a matemática disto, ou a relação da suspensão entre estas duas notas. A relação da vibração entre elas é universal e se dá na LUZ, se dá na química, se dá na criação da vida, está em todas as partes. É como tocar nas cordas da Malha Cósmica de uma forma específica, é como ter um coração com um milhão de cordas e se tocarem duas dessas cordas nessa seqüência, a que vocês chamam quinta aberta, vibram todas as cordas.

Vocês podem não produzir som, já que muitas dessas cordas são interdimensionais, mas estão no DNA de cada um de vocês. No entanto, há certos tipos de relações entre as vibrações e as notas que é dito terem uma qualidade humana. As coisas que ele disse a vocês são verdadeiras.

Agora, não precisam ser mestres em música, não têm que ter música para aproveitar isso, porque esta mesma relação existe nos corações de cada um. A suspensão, a magia da quinta aberta, faz parte da relação da fórmula do próprio Deus. Quando se traduz isso no plano tridimensional, nós podemos escutar uma música e ver a arte.

Mesmo os que não podem escutar e não podem ver, têm o poder de criar eles mesmos, sempre que um se dá conta que é uma quinta aberta; quando amas a humanidade, tu envias esta quinta aberta; quando aceitas o Amor de Deus, estás vivendo com a quinta aberta.

(...)Bendito o ser humano que lembra estas coisas de maneira interdimensional e que, a próxima vez que escutar uma música e ver uma obra de arte, recordará que esta coisa atravessa o véu sem ser tocada. É por isto que todas as religiões do planeta Terra contém arte e música. Não há erro, não há engano.”


[Canalização no Seminário de Robert Coxon (músico) por Kryon - Canalizado por: Lee Carroll - Transcrito e traduzido por: Roberto Gasi - Santiago, Chile, 16/04/2007]

Recentemente, em uma entrevista, nós mesmos dissemos sobre a canalização de músicas:

“A forma como se pode canalizar é bem variada, pode ser falando, escrevendo, desenhando, pintando, podem ser símbolos, música, inclusive existem várias pessoas que fazem isso no Brasil. A diferença de criar uma música como faz qualquer compositor e de alguém que canaliza é que o mote para aquilo tem um fundo espiritual e um objetivo específico, com fundamentação terapêutica; não é uma criação aleatória, é uma música sagrada de certa maneira. Então, pode-se canalizar toda expressão de linguagem, de comunicação.”

[Entrevista concedida a Yannik D'Elboux (Editora Corpo Mente - Curitiba, PR)]

A música canalizada tem, realmente, inúmeras aplicações. Pode ser usada para relaxamento, meditação, realinhamento dos chacras, energização, indução do sono, etc.

Alguns canais mantêm os olhos abertos ou fechados, ou caminham enquanto canalizam. Há canais que falam, escrevem, dançam, tocam ou compõem música, criam obras de arte, novas tecnologias, fazem curas. Há ainda os multicanais, aqueles que podem realizar várias formas de canalização, de modo simultâneo ou concomitante.

Robert Coxon e os efeitos do som

Robert Haig Coxon (www.robertcoxon.com), é um músico canadense que acompanha Lee Carroll, o famoso canal de Kryon, em seus seminários ao redor do mundo. Coxon é multi-tecladista, e se baseia em sua experiência pessoal, musical e espiritual para criar melodias muito utilizadas em técnicas de meditação.

Coxon compõe desde os 11 anos de idade e toca profissionalmente desde os 17. É autor de músicas para cinema. Mas, em 1986 afastou-se das atividades comerciais para dedicar-se a composição do disco Cristal Silence I, e depois, Cristal Silence II, músicas bem ao estilo “new age” da época. É o maior vendedor de discos “new age” do Canadá.

Atualmente, Coxon direciona muito de seu trabalho ao estudo científico dos efeitos da música sobre a cura. A idéia é explicar como as áreas interdimensionais de uma melodia podem tocar e curar pessoas, algo que ele mesmo tem experimentado em seu trabalho por anos.

Em 1998, Coxon se uniu às viagens de Lee Carroll (canal de Kryon) ao redor do mundo. Nesta nova fase, seu objetivo tem sido compartilhar evidências científicas de como o som pode afetar nosso bem estar e de como podemos usar a música para crescer espiritualmente, enfim, compartilhar sua investigação sobre os efeitos do som na mente e no corpo. Ainda complementa seu trabalho com anos de treinamento metafísico, trabalho de cura com as mãos e prática de meditação.

Deve-se a Coxon o conceito de Personal Power Music (Música de Poder Pessoal). Depois de lançar o álbum The Silent Path, Robert Coxon realizava um concerto próximo a Beaumont (Quebec, Canadá), quando o público solicitou mais um bis. Então, ele decidiu criar espontaneamente uma música que refletisse a energia dos ouvintes. Muitos caíram em lágrimas ao final do concerto. Este evento marcou o começo de sua música criativa e cheia de energia, um processo espontâneo que só pode ser definido como uma “canalização” a partir de níveis sutis. Coxon não é o único a fazer isso, mas é um dos mais notórios.

Por vezes, em especial quando acompanha Lee Carroll, Coxon oferece a algumas pessoas o que chama de Personal Power Music (Música de Poder Pessoal). O processo é simples: a pessoa senta-se silenciosamente com Robert, ele sente a energia da mesma e começa a tocar. Para ele, o que é captado neste momento é uma combinação da energia da pessoa e da sua própria energia, um conjunto de lembranças do passado, potenciais e poder real. Ao final, a pessoa recebe um CD, gravado ao vivo durante a sessão de 15 minutos. Tais sessões se tornaram tão populares que é difícil agendá-las.

“Música celestial” e OVNIs...

O trabalho com a Música de Poder Pessoal de Robert Coxon inclui apenas música instrumental. Seria possível a alguém canalizar espontaneamente música cantada? Sim, e esta é a nossa própria experiência.

Começamos a cantar aos 5 anos, por influência do pai, que é músico. Nosso processo era espontâneo e nunca precisamos aprender as notas ou afinação. Tudo o ocorria de tal forma que podíamos afinar o violão de papai apenas pela voz.

Aos 6 ou 7 anos percebemos alguns fenômenos interessantes: a sensação de ouvir uma música celeste, semelhante a harpa. Não se tratava de uma harpa cristã melodiosa. Talvez algo mais dinâmico, tipo a harpa de Andreas Vollenweider (risos). De qualquer forma, a partir daquele momento, ao olhar para o céu, em especial à noite, ou simplesmente relaxar na cama, era suficiente para “ouvirmos” algum tipo de melodia calma e relaxante. Estamos falando da década de 1970, entre 1975 e 1979, período em que a chamada música “new age” recém dava seus primeiros acordes, com artistas que só depois se consagraram, como o grego Vangelis e o francês Jean Michel Jarre. Mas as músicas que “ouvíamos” espontaneamente se assemelhavam a algumas composições que estes apresentaram anos depois. Outras, pareciam ainda mais sofisticadas.

Cantamos música popular até por volta dos 15 anos de idade e “encerramos” nossa carreira nesta área. Mas a música continuou fazendo parte de nossa vida, pois continuávamos a “ouvir” a música que vinha “do alto”. Seis anos mais tarde, em 1991, viajávamos para a Argentina com mais dois amigos, para participar de um Congresso de Esperanto, a língua de apoio criada por Zamenhof há mais de cem anos. Quando acampávamos em meio à Província de Corrientes, indo em direção à Província do Chaco, o fenômeno da “audiência celeste” (risos) mais uma vez se manifestou! Objetos luminosos estranhos apareceram no céu por volta das 20h e pudemos novamente “ouvir” uma melodia que passou a martelar em nossa mente o tempo todo da viagem. É importante esclarecer que nossos dois amigos viram os objetos, mas não escutavam a melodia.

Ao voltarmos do Chaco, resolvemos antes passar pelo Uruguai, indo até a Província de Salto, especificamente até a cidade de Salto, na fronteira com a Argentina. Em Salto fica a Estância La Aurora, uma fazenda conhecida da região por ter sido alvo de avistamentos ufológicos há muitos anos e por conter uma gruta dedicada a Padre Pio de Pietrelcina, um estigmatizado italiano canonizado em 2002. No Brasil, La Aurora se tornou conhecida na década de 1990 através das obras de Trigueirinho (Ed. Pensamento).

Na década de 1970 ocorreram em La Aurora aparições de OVNIs e fenômenos estranhos no lugar, levando o governo, estudiosos e todo o tipo de gente a especular sobre o que se passava ali. O escritor e espiritualista brasileiro Trigueirinho foi apenas mais um destes a tecer uma explicação (para ele, há uma cidade intraterrena sob a fazenda). O local também foi palco, na década de 1960, de uma das bilocações (capacidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo) de Padre Pio, motivo da gruta erigida em sua homenagem.

Quando chegamos a La Aurora, que fica próxima às Termas de Dayman, distrito de Salto, já sabíamos de tudo isso. Ao indagarmos a um policial argentino sobre onde ficava a fazenda, o mesmo perguntou: “Acaso querem ver os gnomos de lá?” “Gnomos” era como ele se referia aos ETs baixinhos que teriam sido vistos por ali décadas antes.

Chegamos a La Aurora, não vimos nem OVNIs, nem “gnomos”, nem nada anormal. Visitamos a gruta de Padre Pio e ficamos até o anoitecer. Contudo, no retorno a Dayman, voltamos a “ouvir” a música celeste que nos acompanhava desde a infância.

Descobrindo códigos musicais

Retornando ao Brasil, após as experiências na Argentina, percebemos o quanto a música tem o poder de induzir certos estados emocionais e meditativos. Em 1993 tivemos a intuição de pesquisar as possíveis relações da Cabala hebraica com os aspectos sutis da música. Descrevemos este processo na edição digital de nosso livro “Projeto Aurora – retorno a linguagem da consciência”. Apresentamos os trechos mais relevantes:

“(...) até 1993 não nos ocorreu a idéia de codificarmos os 22 Princípios Fonológicos [isto é, os sons das 22 letras hebraicas] em sons audíveis e transmití-los como uma mensagem a possíveis civilizações extraterrestres que nos visitam. Mesmo porque algumas idéias precisam de um incentivo para serem postas em prática, além de terem o tempo certo de amadurecimento.

(...) se é possível transformar estes “princípios” em sons musicais, por que não fazer isso durante uma vigília, codificando uma mensagem que os extraterrestres pudessem entender como um pedido de contato? A idéia era instigante. Mas também arriscada. O local deveria ser tanto adequado quanto seguro para um experimento destes.

E.B.L.S. construiu uma “rádio pirata” para a transmissão em freqüência modulada (FM), que atingiria cerca de 1000 metros em campo aberto. Um teclado seria acoplado, de forma que poderíamos tocar a mensagem codificada durante as vigílias.

Os leitores devem estar curiosos para saber que mensagem transmitíamos na época do “Projeto Aurora”. (...) A mensagem era a codificação, segundo certo método, de um mantra que aparece no Livro de Isaías, cap. 06, vers. 03: Qadosh, Qadosh, Qadosh. Yahveh Tsevaoth. Melô Kól-haárets kvôdo – lit. “Santo, Santo, Santo. Yavé [O Existente] dos Exércitos. A plenitude de toda a Terra é sua glória”. Este é o mantra completo, mas utilizamos uma codificação cabalística baseada numa outra versão, que circula em alguns meios ufológicos: Qadosh, Qadosh, Qadosh. Adonay Tsevaoth. Yod-Hê-Vav-Hê. - Lit. “Santo, Santo, Santo. Senhor dos Exércitos. Y-A-V-É.” Codificado, o mantra se transformou em música, música cósmica, harmonizada dentro dos Princípios da logolinguagem.

Cada nota musical quer dizer algo no esquema do universo. Cada letra cabalística tem seu número, sua forma, sua cor e sua nota musical na escala diatônica. Quando transformamos em música uma palavra hebraica (...), o resultado não é dissonância, mas uma harmonia muito interessante. Quando escolhemos notas aleatoriamente, o resultado é dissonante. Portanto, o método não é ilógico.

O Marquês de Saint-Yves d'Alveydre já tentara, em seu livro “O Arqueômetro”, relacionar as letras hebraicas e as do seu alfabeto Vattan com os tons da escala musical. Os resultados não são iguais aos nossos, mas têm seu mérito. A relação de Blavatsky parece ser mais lógica, e é a que utilizamos na definição dos tons das letras hebraicas.

Chamamos a este processo de transformar uma palavra hebraica ou sistemas logolingüísticos em sons musicais de “codificação de mensagens a partir de sistemas logolingüísticos correlatos em sistemas de harmonias musicais” ou, mais resumidamente, SISTEMA MELCOM (Mensagens Logolingüísticas Codificadas em Música).

Neste sistema podemos, teoricamente, controlar o significado e o efeito das letras que formam as palavras, transformadas em música. Como elas são regidas por notas musicais e não por compassos, duração ou outros componentes da música, quando temos a seqüência de sons, apenas a criatividade [ou, na verdade, um processo de “canalização”, hoje podemos dizê-lo] pode gerar uma melodia harmônica e sonora ao ouvido. Caso contrário, as notas devem ter todas a mesma duração, independente de qual seja. Cremos ainda, que uma nota com duração maior tenha seus efeitos intensificados. O fato de usarmos harmonias musicais junto a ela também deve ter efeitos simpáticos, positivos ou não, conforme o caso.

Hoje, existem programas de computador (softwares), alguns inclusive gratuitos (freeware), que podem gerar música eletronicamente. Basta conhecer um pouco de notas musicais, compasso, duração de notas, etc., para que se possa criar alguma coisa. É o que temos feito. Contudo, também se faz necessário conhecer a língua hebraica (além de outras antigas) e os princípios da logolinguagem (...) para que se possa iniciar a pesquisa na codificação de mensagens pelo Sistema Melcom.”


Isso foi o início de tudo! Mas a pesquisa continuou nos anos seguintes. Ainda que de modo silencioso, continuamos nossos estudos, a partir de uma tabela de relação entre as notas musicais, as cores e as letras do alfabeto hebraico [ver foto abaixo].



Chegamos a esta tabela unindo conhecimento, intuição e canalização. Mas, para entendê-la, é necessário ter conhecimentos musicais. Trata-se de um método para codificar ou decodificar sons a partir de palavras hebraicas, nomes divinos, nomes angélicos ou palavras cabalísticas de poder. Para isso, é necessário codificar as letras de uma palavra hebraica para as notas correspondentes. Então, com um pouco de sensibilidade musical, é possível arranjá-las de um modo harmônico. O efeito é algo sutil e subliminar sobre a mente estressada do dia-a-dia.

Com o tempo, desenvolvemos a idéia de que os nomes das pessoas também carregam vibrações, se as letras forem transcritas no alfabeto hebraico. Neste caso, devemos considerar o som do nome, e não suas letras segundo nosso alfabeto. Devemos usar a fonética hebraica para essa transcrição. Por fim, transformamos as letras hebraicas do nome em notas musicais. No caso do nome “Paulo”, por exemplo, as letras hebraicas correspondentes são pê', 'álef, vav, lámed e vav (p'wlw, sem vogais).

Um detalhe: Para que a música codificada a partir do nome de uma pessoa tenha efeito, é necessário codificar o nome completo de nascimento.

Além das letras dos nomes, há ainda uma relação com as sete cores do arco-íris. Nos vídeos apresentados, cada nota é acompanhada da imagem da letra hebraica correspondente e de sua cor regente. Assim unimos som-cor-forma no processo de codificação musical pela Cabala, gerando mantras de uma nova era, uma era de integração e síntese de conhecimentos...

Canalização musical ou música espontânea

Atualmente, além de produzirmos música pelo processo cabalístico codificado apresentado acima, também temos utilizado o método da canalização musical, que outros podem chamar de música espontânea. Para isso, sentamo-nos frente à pessoa para a qual canalizaremos e relaxamos um pouco (nós e a pessoa). Levamos alguns minutos para sentir a energia que ela nos transmite naquele momento. Então, por um processo interno difícil de explicar em palavras comuns, soamos a primeira nota, ou nota-chave, que desencadeará as demais que comporão a música para aquela pessoa. É uma música cantada. Gravamos tudo para fornecer uma cópia à pessoa posteriormente.

Por vezes, o resultado musical é apenas uma música cantarolada, sem letra, mas que toca o coração de quem ouve. Em outros casos, há uma letra, geralmente em hebraico, que depois podemos ouvir e traduzir. O estilo da música também varia. Pode ser algo muito lento, tranqüilo, ou algo mais dinâmico, quase lírico. Um bom exemplo é a música “Koach Gavriel”, onde canalizamos a parte cantada instantaneamente, e incluímos o acompanhamento posteriormente.

Importante ressaltar que, para canalizar por este processo é preciso saber cantar, do mesmo modo que para canalizar por escrito é necessário saber escrever. Mas apenas saber cantar não é tudo para canalizar por este processo... É preciso estar aberto às energias que se sente enquanto o processo de canalização está em curso. Sentir a energia da pessoa e representá-la em música não é tão simples como parece. Ainda mais quando o objetivo é devolver-lhe uma música que contenha os sons necessários para reequilibrá-la e levá-la a um estado de maior bem-estar físico e espiritual.

II – Mantras codificados e música espontânea



Uma nova música para um novo mundo?

Música visionária, música multidimensional... música para uma “nova era”? A música passou por muitas fases nos últimos cem anos. Mas o que poderíamos chamar de “música espiritual” passou por mudanças ainda maiores. O que era para ser uma música para um novo mundo se tornou a base de toda a música eletrônica atual.

Até a década de 1960, a única música que poderíamos chamar de “espiritual” seria a música religiosa tradicional, como os hinos cristãos, o “spiritual” protestante dos EUA, a música indiana, a música religiosa africana e os cânticos tribais de várias partes do mundo.

Com o advento dos sintetizadores, que se popularizaram na década de 1970, as coisas mudaram. Uma música mais suave, “espacial”, eletrônica, foi tomando conta da “cena” espiritual, através de artistas como Vangelis, Kitaro, Tomita, Brian Eno, Mike Oldfield e Jean Michel Jarre. Nenhum deles tinha noção de que estavam, em conjunto, produzindo um estilo musical que passaria, a partir da década de 1980, a ser pano de fundo para meditações dirigidas, cultos “universalistas”, ioga, sessões de massagem e atendimentos com terapias alternativas. Era o “movimento nova era” (new age). Ainda que a música destes artistas seja considerada até hoje como “new age music” (música da nova era), nenhum deles reconhece este rótulo. Isso é justo, pois cada um fez seu trabalho de forma independente, e sem motivações espirituais, necessariamente. Apesar de Jarre ser budista e de Kitaro ser discípulo de Osho, suas músicas são produto de suas próprias sensibilidades geniais.

Na mesma década de 1980 surgiram outros artistas, como Enya, Loreena McKennitt, Andreas Vollenweider. Seu estilo definiu o que seria considerado como música da nova era: sintetizadores, instrumentos alternativos, voz suave, cena céltica, seqüências longas e repetitivas. Fora a irritação de Vollenweider, que se recusou sempre a considerar-se músico “new age”, os demais nunca se importaram com isso. A primeira rádio a tocar só música “new age” surgiu nos EUA: a KLRS (Colours) em Santa Cruz, Califórnia. Entre os artistas proeminentes que passaram a criar música “new age” especificamente para cura ou meditação estão Aeoliah, Deuter and Steven Halpern.

Outros artistas, cuja música não pode ser facilmente classificada, e que mostram muita diferença de estilo entre si, também têm sido rotulados como “new age”: George Winston, Dean Evenson, Will Ackerman, Ray Lynch, Suzanne Ciani, Jim Brickman, B-Tribe, GregZ, Deep Forest, Enigma, Yanni, Oscar Lopez, Mike Oldfield e Steve Roach.

Atualmente, a música antes chamada “new age” recebeu novas denominações, como “instrumental contemporâneo”, “instrumental para adultos”, “instrumental contemporâneo para adultos” (termo sugerido por Steven Halpern, em 1999) ou simplesmente “música eletrônica”, sendo colocada no mesmo rol de todas as demais formas eletrônicas de música, como a dançante, o trance, o ambient, etc. O fio que une tudo é o objetivo: uma música eclética baseada em sintetizadores, instrumentos étnicos e voz suave, mantras, e com viés espiritual, que pretende levar a consciência a um nível transcendental, capaz de promover paz, cura, relaxamento e alegria.

A música eletrônica atual, que toca nas rádios, nas festas eletrônicas e pela Internet, deve muito ao que se chamou anteriormente de “new age music”. A música eletrônica dançante usa os mesmos instrumentos e as mesmas idéias da “new age”, embora esteja ausente uma idéia de espiritualidade, ainda mantida, contudo, no estilo “trance music”.

Música canalizada e seus processos

A música canalizada começou a aparecer nesta cena na década de 1980, mas de modo modesto. Na década de 1990, foi se intensificando fora do Brasil e, só recentemente, apareceram alguns trabalhos nacionais, geralmente com selos independentes. O estilo das músicas canalizadas é o da “new age music”, com certeza. Mas o diferencial é a espontaneidade da criação. Por isso, também é chamada de “música espontânea”, flertando com a música experimental. A música canalizada pode ser de dois tipos específicos: aquela que pode realmentente ser chamada de “música espontânea”, quando é canalizada por inteiro (sendo gravada enquanto tocada ou cantada e depois apenas finalizada); aquela que é canalizada em partes, mas passa por um processo de edição em estúdio que melhora o efeito sonoro.

A música canalizada cantada é bem mais rara que a instrumental, e por motivos óbvios: é mais difícil controlar a voz do que um teclado, ainda mais se ela possui letra e rima. Quando canalizamos a música “Koach Gavriel”, a parte da voz veio automaticamente. Só depois criamos o acompanhamento no teclado. Várias pessoas nos contataram assim que a música apareceu no YouTube, querendo saber o que estávamos cantando.

A música foi canalizada através da inspiração de “Danea Tage”, nosso mentor desde 1991. Ao analisarmos o texto, observamos duas diferenças de pronúncia especiais: a palavra “kochô” [se lê “corrô”], significando “seu poder” é pronunciada como “koachô” [“coarrô”]; a expressão “umikhael” (se lê “umirrael”) é pronunciada como “wemikhael” [“uemirrael”], significando “e Miguel”. Isso pode significar uma pronúncia antiga das palavras ou uma forma alternativa desconhecida do Hebraico antigo.

Experiências com o mantra codificado “Qadosh”

Em nosso segundo livro, “Projeto Aurora – retorno a linguagem da consciência”, relatamos um pouco de nossas experiências com o uso deste mantra codificado na época em que coordenávamos um grupo chamado “Projeto Aurora”. Eis alguns trechos:

“Um dos membros do “Projeto Aurora”, o já citado E.B.L.S., era um técnico em eletrônica de 19 anos, filho de outro militar da aeronáutica. Sua especialidade era física e eletrônica, uma espécie de “geniosinho” para uns e um “nerd” para outros. Ao conversarmos sobre logolinguagem, sobre Princípios Fonológicos e sobre a intenção de escrevermos um livro, ele sugeriu o seguinte: se é possível transformar estes “princípios” em sons musicais, por que não fazer isso durante uma vigília, codificando uma mensagem que os extraterrestres pudessem entender como um pedido de contato? A idéia era instigante. Mas também arriscada. O local deveria ser tanto adequado quanto seguro para um experimento destes.

(...) Nossa amizade com o comandante da Brigada Militar (a polícia militar do RS) na região de Santa Maria – o sr. A.M.M – facilitou que conseguíssemos autorização para fazer vigílias na Fazenda da Brigada Militar, localizada na serra de Itaara, numa região chamada Filipson, outrora um núcleo de colonização judaica, um dos mais antigos do Brasil. Oficialmente os documentos dizem que faríamos “acampamentos de jovens”. Mas o comandante sabia o real motivo e nos prometeu guardar segredo para evitar que a notícia se espalhasse. Apenas o sargento responsável pela fazenda saberia, mas estava instruído a também guardar segredo. Afinal, ele mesmo, segundo nos contou depois, vira bolas de fogo nos campos certa vez.

A primeira vigília nesta fazenda contou com cerca de dez pessoas. Por prudência e para reconhecer o terreno, não fizemos transmissões desta vez.


(...) Conversávamos animadamente, quando notamos uma luz que pareceu se acender no horizonte oeste. Naquele lado havia uma barragem, a Barragem de Val de Serra, e mais nada. E ali não havia luzes, como depois verificamos.

A luz que se acendera apagou alguns segundos depois. Apareceu outra no ponto extremo esquerdo do horizonte. Pensamos: são duas luzes diferentes. Mas, o que são? Esta segunda luz apagou também e surgiu uma terceira no meio do horizonte. Esta dança de luzes surgindo e desaparecendo durou praticamente a noite toda. Em determinado momento elas passaram a também se mover para a esquerda ou para a direita, mas não para o alto nem para baixo. É como se estivessem flutuando, pois não se sentia flutuação do terreno, caso fossem automóveis. As luzes também não variavam sua intensidade, como percebemos em luzes de carros numa estrada.


(...) Retornamos na semana seguinte, desta vez com menos gente. Levamos o transmissor, o teclado e um binóculo. Durante a tarde, fomos a pé até a região da Barragem de Val de Serra, o lado de onde surgiram as luzes, para saber se havia estradas, construções ou algo que as explicasse. Nada. Apenas campo, mato e a barragem. A distância entre nosso acampamento e a barragem, de onde pareciam surgir as luzes, era de no máximo dois quilômetros. A casuística ufológica confirma que discos voadores são vistos com freqüência próximos a lagos, rios, mares e barragens, bem como em campos, florestas e lugares ermos.

(...) Naquela segunda vigília, E.B.L.S., o construtor do transmissor, não pôde estar presente, mas como tudo era simples de manusear, isso não foi um problema. Anoiteceu e as luzes apareceram novamente, como a nos dar boas vindas. Se fossem luzes de casas, não ficariam acendendo e apagando a noite toda. Se fossem de carros ou de tratores, se moveriam irregularmente no terreno.


(...) Após as 20:00 iniciamos as transmissões, tendo as luzes bem a nossa frente. Tudo parecia ir bem, quando começamos a ouvir um ronco poderoso nos radinhos que leváramos, ao invés do som do teclado. O ronco persistiu enquanto tentamos continuar as transmissões. E as luzes continuavam no horizonte, como antes. Guardamos os equipamentos e, com o binóculo, foi possível ter maiores detalhes das luzes: eram bolas luminosas, com aparência etérea, não sólida, com um núcleo mais luminoso. Pareciam estar a uma certa altura do chão – difícil precisar, talvez uns dois a cinco metros. Nenhum detalhe a mais.

(...) Ao retornarmos da vigília, procuramos E.B.L.S. para saber se o transmissor tinha algum defeito, devido à interferência que ouvimos. Não se constatou qualquer defeito e, num teste, o aparelho funcionou normalmente. O que foi aquilo, então? Interferência causada pelas luzes que víamos? Uma resposta inteligente? Cremos que sim. Por vezes, ao fitarmos as luzes podíamos “sentí-las”, como se uma inteligência ali estivesse. Era uma sensação muito estranha de estarmos sendo observados.”


[“Projeto Aurora – retorno a linguagem da consciência” - Versão atualizada de 2006]

Além do exposto, o mantra codificado “Qadosh” apresenta alguns efeitos já relatados por pessoas que o experimentaram: inspiração, sensação de cores diferentes do usual, de proteção, de coragem, força e alegria. Vale a pena testar.

Música para reequilíbrio

Faz tempo que a musicoterapia preconiza música clássica para certos desequilíbrios, como Beethoven para diminuir a timidez, Brahms contra o medo, Haydn para esgotamento nervoso, Strauss contra a depressão e Schubert contra problemas de sono. Não há dúvida de que deve funcionar, pois a música tem um poder inequívoco sobre nossas emoções. Tanto pode nos fazer rir como chorar, relaxar ou irritar, dependendo do caso.

É claro que ouvir música estridente por horas a fio não é uma boa terapia nem uma forma de relaxamento, além de levar ao risco de doenças e ao prejuízo da memória, devido ao excessivo derramamento de hormônios sem o posterior gasto da energia acumulada. O Dr. Hermann Rauhe (Hamburgo) já declarava isso em 1975.

De fato, os antigos acreditavam que a música obedecia a certas “leis ocultas”. Estas leis parecem ainda estar ocultas, apesar da grande influência musical em nossa era, como se pode observar nas terapias musicais e mesmo no dia-a-dia de todos nós. Mas todos somos influenciados por ela, homens, animais e até plantas, como confirmado por experiências de labotarório. Os antigos sabiam disso, bem como da capacidade inata que temos de “canalizar” música a partir de níveis internos. Em certas tribos da América do Norte, o sacerdote curava incentivando o doente a cantar melodias “inventadas” na hora pelo paciente. Assim, o doente concentrava suas forças e mudava o foco mental. É a mesma função dos mantras no Budismo Tibetano, por exemplo.

Entre os efeitos “ocultos” da música está um pouco observado: a influência de uma música não se limita ao instante em que a escutamos, mas se mantém em nosso inconsciente por um tempo relativo. No momento em que o cérebro registra a melodia, algo acontece em nosso ser interno e continua acontecendo por um tempo que depende do tipo de música, do nosso estado ao escutá-la, do ambiente em que estamos e das pessoas que nos rodeiam. Uma música adequada alimenta nosso eu interno e relaxa, inspira criatividade, conhecimentos novos e atitudes sadias, além de promover expansão da consciência.

Quando nos foi perguntado sobre a diferença entre simplesmente aprender a tocar e/ou cantar uma música e “canalizá-la”, respondemos: “a espontaneidade, a entrega ao eu interno que se abstrai do externo, a sensação de unicidade com o cosmos e o arrefecimento do ego ilusório.” A música “canalizada” é uma expressão completa do “ser musical”, a nosso ver. As grandes obras clássicas parecem ter saído de processos assim... Beethoven parecia simplesmente “ouvir” o que compunha... estando já surdo.

Música de terceira geração

Há muito mais informação de qualidade espiritual na música do que podemos exprimir por palavras. Por isso, praticamente todas as religiões a colocam em lugar de destaque em suas estruturas (mantras, rezas, cantos gregorianos, ragas, spirituals, cantos tribais, hinos, invocações melódicas, etc.). A música “embutida” nas religiões pode ser chamada de “música de primeira geração”. Seu efeito terapêutico é verdadeiro, mas está conectada a valores arcaicos e sectários, e tem seus evidentes limites.

A música moderna, desde a popular, que toca nas rádios, até a world music, considerada “alternativa”, está no que chamamos de “música de segunda geração”. É a música do Século XX e ainda será a música de boa parte do Século XXI, cremos. Seu efeito é variado, pois esta música é muito variada, por vezes dinâmica e alegre, por vezes deprimente e triste. Seu verdadeiro diferencial é a tecnologia que usa e a criatividade.

Contudo, há uma nova forma de música que vem surgindo na Terra, uma música que usa a tecnologia criativa da segunda geração e o mote espiritual da primeira, mas sem a desarmonia de certos estilos da segunda geração ou a limitação sectária da primeira: É a “música canalizada”, recebida através de “sintonizadores” em várias partes do mundo há pelo menos duas décadas, e que vem se intensificando cada vez mais. Mas o que é essa música de terceira geração? Do ponto de vista técnico pode não ser muito diferente da música de segunda geração. Contudo, a forma como é criada (“sintonizada”) e o seu propósito são processos diferenciados. Esta música é uma nova forma de codificação da informação espiritual que nos é transmitida tanto por nosso próprio eu interior, quanto por consciências espirituais vivendo em outros planos, mundos ou níveis paralelos. Por isso mesmo, essa música tem o seu próprio simbolismo, gerando comandos subliminares, verdadeiros recados ao nosso eu imperfeito, para que este se aquiete e deixe fluir a mensagem do eu interno, que é o verdadeiro comandante. Se aceitamos estes recados, a energia flui sem barreiras por nosso corpo físico, emocional, mental, etc, ativando chacras, potenciais adormecidos e quebrando padrões de comportamento cristalizados. Tudo isso é necessário para termos um mundo novo, ou antes, uma nova humanidade...

Uma música canalizada pode ser uma espécie de “auto-retrato” (quando vem do próprio eu interior) ou a captação da energia mais sutil de outra pessoa (cada um emite uma vibração peculiar), ou ainda a captação do ambiente, da inspiração de mentores invisíveis ou de uma coletividade espiritual. É uma verdadeira “tecnologia musical espiritual” para o Terceiro Milênio, capaz de nos aproximar do que os antigos indianos chamavam de “som cósmico criador” (shabda). Todos temos relação com este som, de modo que cada um de nós possui uma “nota de harmonia”. Descobrí-la, é uma de nossas missões.

Atualmente já são realizados em alguns lugares do mundo workshops de música canalizada. Em certos casos, já se utiliza símbolos ao mesmo tempo em que se canaliza, de modo que os ouvintes podem entrar em estados meditativos ou em relaxamento, captando mais do que o normal ao ouvir um música. Os símbolos emitidos têm relação com a freqüência da música canalizada. Os mantras codificados podem seguir a mesma estrutura, e neles o uso de símbolos concomitantes pode ser ainda mais útil, já que permite alcançar níveis de consciência específicos e mais elevados.

Em alguns anos, cremos que o que hoje são apenas simples workshops de música canalizada, passará a ser algo como megashows populares: milhares de pessoas se divertindo, ouvindo música sadia e ao mesmo tempo, expandindo a consciência. É questão de tempo.

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Se você deseja conhecer mais sobre o trabalho com Mantras Codificados e Canalização Musical ou organizar um workshop, pedir sua música canalizada ou seu mantra codificado, entre em contato com o autor pelo email: pstekel@gmail.com

Mais vídeos sobre música canalizada e mantras codificados estão disponíveis no Canal de Paulo Stekel no YouTube: http://br.youtube.com/user/PauloStekel